segunda-feira, 6 de maio de 2013


O maior segredo do III Reich
 
O círculo do poder: Josef Goebbels, ministro da Propaganda, Eva, Hans Haupner, arquiteto do edifício nazista "Ninho da Águia", Albert Speer, arquiteto e ministro de Armamentos, e uma amiga não identificada
Sozinha no Berghof, Eva se distraía experimentando roupas e se maquiando. Fazia longas caminhadas, banhava-se no lago, tomava sol e passava horas praticando ginástica. Via filmes e exercitava seus dotes de cineasta e fotógrafa amadora - chegou a montar uma sala escura onde revelava suas imagens. De tempos em tempos, viajava para o exterior com amigas e parentes. Quando a guerra estourou, em 1939, sua maior preocupação era a perspectiva de que as visitas de Hitler se tornariam menos freqüentes. Em meio à ignorância quanto às campanhas militares, só se apavorava com os atentados contra seu Führer. "Eva Braun não tinha voz ativa na política", diz o historiador Ben Abraham, ex-detento de campos de concentração e presidente da Associação Brasileira dos Sobreviventes do Nazismo. "Mas não era tão ignorante a ponto de não saber nada sobre o que estava acontecendo. Era como o resto da população, que sabia e depois da guerra se omitiu", afirma Abraham.
"Hitler e outros líderes nazistas não queriam mulheres opinantes por perto. Era um tabu absoluto falar sobre o tratamento dado aos judeus", diz o historiador Ian Kershaw, da Universidade de Sheffield, Inglaterra. Henriette von Schirach, filha do fotógrafo Heinrich Hoffmann, foi expulsa do Berghof quando questionou Hitler sobre o tratamento dispensado aos judeus. "Um protesto nunca passaria pela cabeça de Eva. Até porque, submetida ao anti-semitismo incansável de Hitler e de outros líderes, ela sem dúvida acreditava nele", afirma Kershaw. Para Angela Lambert, Eva não era anti-semita, apenas ignorava a política levada a cabo pelo estadista com quem dividia os lençóis. "Ela viveu o lado brando do nazismo, das festas, dos jantares, estava entre os 'eleitos'. A obsessão pelo Führer marcava tais personagens, por isso é difícil esperar deles uma ação mais humanitária", afirma a historiadora Ana Maria Dietrich, professora da Universidade Federal de Viçosa (MG). "Não acredito que ela teria conseguido mudar a história", diz. "Talvez ela tenha usado a negação para enxergar o ser amado de maneira idealizada, focando-se nos esportes e na moda para se distrair", diz Anita Clayton, professora de psiquiatria da Universidade da Virgínia (EUA).
Com os anos, a relação de Eva e Hitler foi amadurecendo. Segundo Traudl Junge, secretária do Führer, ele se preocupava quando ela estava fora do Berghof. "Se houvesse alguma notícia de ataque aéreo a Munique, ficava impaciente como um leão na jaula, esperando um telefonema de Eva", relatou Junge. Em junho de 1944, a irmã de Eva, Gretl, se casou com Hermann Fegelein, oficial da força de combate Waffen-SS. Para Fegelein, tornar-se cunhado da amante do Führer traria status dentro do círculo nazista. Para Gretl, que estava com quase 30 anos, Fegelein era um bom partido. E Eva poderia aparecer um pouco mais, mesmo que fosse como cunhada de um oficial nazista.
Desses anos passados no retiro de Hitler, sobraram horas de filmes e centenas de fotos. A reportagem de Galileu assistiu a 3 DVDs com esse material. Nas imagens, se vêem belas paisagens, crianças brincando e reuniões festivas. Eva aparece se exercitando, correndo e rindo. Uma madame alienada se exibindo? De certa forma, sim. Em uma análise mais profunda, porém, podemos imaginar que ela tentava desesperadamente chamar a atenção e eternizar sua juventude, que se esvaía em dias solitários à espera de Hitler. Mas não deixa de ser desconfortável observar o ambiente luxuoso no qual vivia em plena época de privações para a população.

A ALA FEMININA DO REICH

As outras mulheres do regime nazista
 
Da aviadora Hanna Reitsch à dona-de-casa exemplar Magda Goebbels, passando por artistas e as cruéis guardas dos campos de concentração, o poder e o magnetismo de Hitler atraíam a devoção das mais diferentes mulheres. Muitas não foram diretamente responsáveis pelas atrocidades cometidas pelo regime nazista contra judeus, ciganos, homossexuais e deficientes. Mas, mesmo que indiretamente, todas as mulheres dessa galeria colaboraram com o regime nazista. Porém nem todas sucumbiam ao carisma do ditador. Uma das mais famosas opositoras do regime, a atriz Marlene Dietrich nunca aceitou os convites de Josef Goebbels para que participasse de filmes produzidos com apoio do Ministério da Propaganda. "Quando Hitler subiu ao poder, fui forçada a mudar minha nacionalidade", disse Dietrich, que se naturalizou americana e cantou para os soldados das tropas aliadas durante a guerra.

 
>>>Hanna Reitsch
Aviadora, primeira mulher piloto de testes do mundo. Quando Hitler a convocou ao bunker com o tenente Ritter von Greim, Hanna pilotou sob fogo cerrado do inimigo e pousou o avião em segurança.



>>>Ilse Koch
Esposa de Karl Koch, comandante do campo de Buchenwald, gostava de açoitar os prisioneiros. Diz-se que colecionava abajures feitos da pele tatuada de presos assassinados e crânios humanos encolhidos.




>>>Irma Grese
Guarda do campo de Auschwitz, responsável por 30 mil presas. Torturava as prisioneiras e incitava seus cães famintos a as atacarem. Foi condenada e executada em dezembro de 1945.



>>>Leni Riefenstahl
Produziu filmes para o governo nazista entre 1933 e 1945. Entre eles está o polêmico "O Triunfo da Vontade", sobre o comício de 1934 do partido em Nuremberg. Morreu em 2003, aos 100 anos.



>>>Maria Mandel
Membro da SS. Sádica e apaixonada por música clássica, formou uma orquestra feminina em Auschwitz, que era obrigada a tocar sempre que novas prisioneiras eram enviadas para a câmara de gás.



>>>Traudl Junge
Secretária de Hitler por três anos. Seu livro "Até o Fim" foi uma das inspirações para o roteiro de "A Queda!". Sentia remorso por ter trabalhado para o ditador. Morreu em 2002, aos 81 anos.



>>>Winifred Wagner
Nora do compositor Richard Wagner e amiga do Führer. Organizava o Festival de Bayreuth, dedicado à obra de Wagner - ídolo de Hitler - e bancado pelo Partido Nazista por alguns anos.



>>>Zarah Leander
Cantora e atriz nascida na Suécia, foi a artista mais bem paga da Alemanha nazista. Atuou em filmes sob a tutela do Ministério da Propaganda. Dizia-se apolítica, mas era a "diva do III Reich".



>>>Magda GoebbelsEsposa de Josef Goebbels. Assassinou seus seis filhos pequenos pouco antes de se matar. O casal fanático não permitiria que suas crianças vivessem em um mundo sem o nazismo


fonte:http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG78263-7855-193-5,00-O+MAIOR+SEGREDO+DO+III+REICH.html

A mulher no III Reich


A Sra. Scholtz-Klink dizia em uma ocasião: “Nós prosseguimos nosso próprio caminho, caminho este que nos conduz a nós mesmas; nossa própria estima nos faz continuar consequentemente por este caminho. Não devemos tropeçar nos obstáculos à frente, mas sim fazer deles os degraus para escalar mais acima ainda. Esta atitude nossa deverá ser apreciada também por todos aqueles homens que amam a seu povo da mesma maneira que nós amamos ao nosso”.

Da seção A verdade dói

Durante os anos de luta, não passou despercebido a Adolf Hitler o papel importantíssimo que a mulher, como companheira do homem, podia desempenhar na propagação do movimento nacional-socialista. “Sem a constância e o espírito ou de sacrifício verdadeiramente fervoroso da mulher”, disse o Führer na última Assembleia do Partido em Nuremberg, “jamais eu teria podido levar o Partido à vitória”. Com sua chegada ao poder, o Führer reconheceu todo o significado da mulher e seus distintos valores em ação, tanto na vida política em geral, como na política demográfica, a assistência social e outras instituições, nas quais sua paciente, amorosa e delicada colaboração é de um valor inestimável.

Contestando a uma pergunta que junto a alguns colegas da imprensa estrangeira dirigimos a Presidente da Juventude Feminina, Sra. Gertrud Scholtz-Klink, na qual lhe rogávamos que nos explicasse que pontos de vista ideológicos guiavam a mulher alemã em sua intervenção no movimento nacional-socialista, Gertrud nos respondeu em uma conferência pronunciada no Hotel Kaiserhof, com as seguintes palavras: “Nossa ideologia, que afetava a todo nosso povo em suas raízes mais profundas, não foi determinada por considerações materiais, senão pelo próprio espírito deste povo. Quando se trata de coisas espirituais, não é já a maioria quem decide, senão a força imanente de cada individuo. Esta intuição a tinham não somente os homens alemães, senão também muitas mulheres alemãs, que nos anos de luta, para ganhar a alma do povo, foram as companheiras incondicionais e decididas destes homens. Esta atitude resulta incondicional de nossa parte, em favor do Nacional Socialismo, nos foi reprovada em certas esferas da sociedade, como uma traição aos interesses particulares da mulher. Sobre isto, quero expressar nesta ocasião com toda a seguinte clareza: o mandato fundamental da ideologia nacional-socialista, desde sua fundação até hoje, reza assim: o interesse da coletividade está acima do interesse particular. E, assim sendo, mesmo que não nos fosse possível ajudar a todo o nosso povo, não podíamos pensar de modo algum em por em primeiro lugar qualquer desejo ou necessidades particulares da mulher. Mesmo ardendo no coração dos homens alemães, a vontade de encontrar os caminhos para a melhora do nosso povo, era para nós, mulheres, muito mais importante a totalidade do povo que as aspirações e os desejos próprios”.


A beleza da mulher alemã segundo o pintor Wilhelm Petersen

No estrangeiro, a mulher alemã tropeça com uma série de prevenções e opiniões errôneas sobre sua atuação política, que tem origem no insuficiente conhecimento da Alemanha e do povo alemão. Uns creem poder formar uma ideia da mulher alemã a partir da berlinense mundana, esbelta e elegante, que leva de passeio ao seu lindíssimo cãozinho, de pelo grande e sedoso, pela do Kurfürstendamm, ou conduz seu “Mercedes” de linhas modernas pelas estradas aos belos arredores de Berlim; outros se atendem ao tipo burguês da “Margarita”, com suas cores naturais, seus olhos azuis e as tranças loiras que caem sobre os ombros. Este juízo seria tão falso como o fora o de valorizar a mulher francesa pela parisiense emperiquitada dos grandes Boulevares.

A mulher alemã é geralmente de uma elegância sóbria e de uma franqueza alegre e espontânea. Ainda quando sob o novo regime, não assiste aos cursos universitários com o mesmo zelo de antes, não ambiciona cargos políticos, conservando assim, sem sombra de dúvidas, uma elevada educação geral, assim como seu interesse pela música, pela literatura e belas artes. Principalmente pode se observar, por exemplo, no ônibus ou meios de transporte, a mulheres e meninas lendo seus autores prediletos; nas salas de concerto, o sexo feminino constitui a maioria do público, escutando a música com um recolhimento quase religioso. Digno de assinalar é também a atração das mulheres pelo esporte. Isto está demonstrado pela intensa participação feminina nos exercícios de cultura física, e as numerosas sociedades esportivas femininas que existem em todas as cidades da Alemanha. Seu interesse em todas as organizações desportivas, desde o esporte ligeiro até a natação, as carreiras pedestres e os concursos de esqui, é cada vez maior.

Mas, sobre todas as coisas, a ideia de família dirige e inspira com preponderância a mulher alemã; o sonho de seu futuro lugar é o que consome seu coração. Não o tipo “garçonete”, senão que é consciente de que há de chegar a ser mulher, e seu coração é sempre sensível à eterna canção de amor. Manifesta seu entusiasmo ao escutar os discursos políticos de Hitler, ou ao tomar parte nas grandes manifestações públicas nacional-socialistas, mas sempre se entusiasma com o desejo de ser mulher, e sua missão de futura mãe e como tal, é da mesma condição e índole que todas as demais mulheres do mundo. Toda esposa põe o maior empenho em ser considerada como boa ama de casa, e pode demonstrar o que tem aprendido na casa de seus pais, nos cursos de economia caseira, organizados pela Associação Feminina Nacional-Socialista, ou em qualquer das numerosas escolas privadas. As jovens prometidas tiram aprendizado em todos os ramos da economia caseira, com a finalidade de logo poder oferecer a seu esposo um lugar atraente e alegre, confortável e bem administrado.

O cumprimento das funções que como mulher a incumbem, a alemã se sente responsável perante a coletividade. “Nós”, me dizia uma vez uma colaboradora da Associação Feminina Nacional-Socialista, “servimos a vida de nosso povo e consideramos o trabalho do nosso lugar como um meio de alcançar e manter a saúde tanto física como espiritual dele, valendo-nos das fontes de energia da nossa própria economia”.


Richard Klein retrata o retorno ao naturalismo na nova Alemanha

A nova ideologia operou na mulher alemã uma profunda transformação, que se reflete tanto no seu interior como no seu exterior. Milhares de mulheres da juventude hitlerista se orgulham de levar seu sensível vestido de jaqueta parda e falda negra, tendo suprimido o ar e desejando crescer de novo suas tranças. Isto significa também o retorno da juventude feminina aos princípios originais da moral, a uma maior estima pessoal e a um maior respeito da opinião alheia, sem com isso pecar com uma vaidade exagerada. A isto contribui também o fato de que o homem voltou a sentir um maior respeito pela mulher. O aumento das possibilidades de trabalho, a incorporação dos jovens ao Serviço de Trabalho, o Exército, foram barrados das ruas e dos locais quietos repletos de senhores que gostam dos jogos, proporcionando-lhes a ocasião de conhecer as regras de conduta de uma coletividade ordenada e, entre outras coisas, o respeito à mulher.

A relação ao novo sentimento da moral e bons costumes que se está inculcando à juventude feminina se expressa na interessante declaração dada pela Chefe da Juventude à Associação de Jovens Alemãs: “Vós, as moças do nosso povo, tereis de trabalhar e educar-se como aquelas que em seu tempo querem ser também as mães do nosso povo, as esposas dos nossos homens. Os homens que formarão o porvir do povo alemão, necessitam mulheres de vossa condição. Mulheres que estejam dispostas com profunda convicção e valentia, a compartilhar com seus maridos todos os sacrifícios e todos os rigores da vida. Esta é uma elevada aspiração para cada uma de vós, pela qual bem merece a pena fazer-se forte, disposta e capaz, durante muitos anos, e conservar-se e permanecer pura, para poder cumprir deveras esta missão”. Por geral, a jovem alemã se sente satisfeita se pode trabalhar até seu casamento em uma oficina, comércio ou fábrica, para desta maneira aliviar a carga de sua manutenção a sua família. Geralmente contribui com uma parte de seu salário aos gastos de casa, e, além disso, ela mesma custeia os pequenos desembolsos destinados a suas necessidades pessoais e o seu recreio. A jovem alemã sente uma grande inclinação para a assistência aos enfermos, cuja função requer na Alemanha a inscrição a distintos cursos de estudo e uma instrução prática, durante um tempo relativamente longo.

Quando a jovem alemã contrai matrimônio, abandona alegremente seu oficio, ainda que ofereça os melhores auspícios econômicos imagináveis, para dedicar-se por inteiro ao seu lugar e à sua família. A maioria dos casamentos celebrados com ajuda do empréstimo matrimonial que, como já foi dito, somente se concede no caso da mulher renunciar a toda atividade profissional, pode servir de demonstração do que acabamos de dizer. O Nacional Socialismo determinou exatamente a função da mulher e seus deveres para a coletividade. O mundo da mulher e do homem. A natureza os fez a repartição justa, colocando o homem à frente da família e o impondo, ademais, como uma obrigação de maior proteção ao povo, à totalidade. O mundo da mulher feliz reside na família, na convivência com o marido e filhos e no lugar; desde ali pode levantar logo a vista até a totalidade de seu povo. Ambos os mundos constituem juntos uma só unidade, dentro da qual vive e se mantém um povo.


Hannah Reitsch e a cruz de ferro obtida por seus voos heroicos

À parte dessa missão natural da mulher, o Nacional Socialismo não intervém em nenhum modo para induzi-la a invadir a esfera de atividade do homem. Apesar disso, o Nacional Socialismo protesta contra a imputação muito comum no estrangeiro, de que não se querem conceder liberdade nem igualdade de direitos à mulher. Em um dos seus últimos discursos, disse o Führer: “Mesmo que dispuséssemos de homens fortes e saudáveis (e disso cuidaremos nós, nacional-socialistas), não se formará na Alemanha nenhuma companhia feminina de combate, nem nenhum batalhão feminino de atiradoras. Isto não seria igualdade de direitos, senão inferioridade dos direitos da mulher”.

Um campo de ação incomensuravelmente amplo se oferece para a mulher na nova Alemanha. Desde logo, não se trata em modo algum de fazer-se renunciar o exercício de profissão. Somente se pretende proporcionar-lhe em ampla escala a possibilidade de contribuir à fundação de uma família e ter filhos, já que assim beneficia ao povo de melhor maneira. Se atualmente um jurisconsulto feminino demonstra sua capacidade no foro, e a seu lado há uma mãe que criou por si mesma cinco, seis ou sete filhos, o labor e o sacrifício desta mãe, conforme os conceitos nacional-socialistas sobre o valor eterno de um povo, vale muito mais que a realizada pela primeira mulher. O Estado, segundo a opinião de Hitler, tem o dever de fazer possível ou, pelo menos, de facilitar a todo homem e a toda mulher casar-se segundo as ordens do coração. O Governo se esforça na solução deste problema por meio da legislação, com o propósito de criar uma raça que, acima de tudo, seja forte e sadia.

A designação de homens e mulheres às funções peculiares de seu sexo, não implica nenhum menosprezo para a mulher. Não faz mais que estabelecer as diferentes condições naturais e está muito distante de relegar a mulher a um plano secundário. A missão da mulher alemã no novo Estado é muito superior à de ser, tanto na política como na profissão, um fator de competência para o homem. Igualmente é falsa a suposição de que a atividade da ama de casa seja improdutiva. Esta é uma frase que na Alemanha da época anterior chegava a ouvir-se com bastante frequência; tal frase somente podia engendrar-se no pensamento de uma época que por produtividade, não entendia outra coisa que a vantagem pessoal e da própria família, uma vantagem que poderia contar-se ou palpar-se, mas nunca o interesse superior da totalidade do povo, que por sua vez também beneficia indiretamente ao individuo particular.


O Nacional Socialismo buscou a completude entre homem e mulher

A Associação feminina nacional-socialista e a Obra feminina alemã tiveram suas origens nos dias de luta do partido como organização de mulheres nacional-socialistas. Sua estrutura geral é paralela a do Partido: à frente da mesma está a Sra. Gertrud Scholtz-Klink. As divisões inferiores estão organizadas em células regionais, de distrito e locais, em blocos. O número que mulheres chega ao total de onze milhões.


Quando perguntado sobre o que mais lhe agradava nas mulheres,
o General León Degrelle respondeu que era a doçura;
e sobre o que mais lhe detestava, dissera que era a vulgaridade

Com a chegada de 30 de janeiro de 1933, ficou livre o caminho para a realização do programa fixado de antemão: a obra feminina alemã surgiu com o objeto de reunir as numerosas associações femininas, pequenas e grandes, que estavam carentes de uma direção unitária e da de uma base ideológica. A Obra feminina alemã representa atualmente o grande lugar comum para todo o sexo feminino alemão. A ela, pertencem todas as organizações, associações e afiliadas particulares, que tomam uma parte ativa na obra comum do povo. A ama da casa e a estudante universitária, a professora e enfermeira, a trabalhadora e a artista, estão agrupadas em uma só comunidade de trabalho.

Por trás de ventosas árvores da rua Derfflinger, no oeste de Berlim, se encontra o novo edifício da Associação Feminina Alemã. Compreende quatro seções administrativas e cinco grandes seções principais de trabalho. As seções administrativas têm a seu cargo a administração das seções diretivas, a organização geral da imprensa e propaganda. Alguns dados sobre as cinco seções principais de trabalho contribuirão ao leitor com uma idéia da atividade extraordinária desta instituição.

“A seção de ‘Cultura, Educação e Instrução’ tem como campo de ação: a instrução ideológica (a ela pertencem as duas escolas normais de trabalho em Coburg e Berlim, assim como as 32 escolas regionais para as chefes femininas, que até agora compreendem 100 mil moças e mulheres), biologia, cultura física, educação da juventude feminina, belas artes aplicadas, literatura, jogos populares e recriação durante as horas livres.
A seção de Assistência maternal tem em sua jurisdição: Educação da mãe, higiene, cuidado com as crianças de colo e educação, arrego do interior do lugar e gestações sociais.

A seção de ‘Economia nacional e caseira’ compreende os setores: Economia nacional, economia caseira, alimentação, instrução para as amas de casas, indumentária e habitação. Esta seção tem a seu cargo a direção de todas aquelas questões de política econômica que atenham à mulher em sua qualidade de administradora da casa e consumidora.
A seção ‘Estrangeiros e povos fronteiriços’ tem a missão de aconselhar e instruir as estrangeiras, e tem a seu cargo manter as relações com os setores femininos dos países fronteiriços e das colônias de ultramar.
A seção de ‘Serviços auxiliares’ estão compreendidas a ajuda feminina da Cruz Vermelha, a colaboração na ação de Beneficência nacional-socialista, no ‘Auxilio de Inverno’, na obra ‘Mãe e filho’ e na Associação nacional de defesa aérea”.

A qualidade de afiliada da Associação feminina alemã proporciona a todas as mulheres a possibilidade de contribuir com seu trabalho e sua atividade a serviço de alguma destas seções, e com isso ao da coletividade.

Uma menção especial merece a Obra nacional de assistência materna. Sua missão é a de facilitar o futuro das mães, os conhecimentos ideológicos e práticos necessários, que é uma condição elementar para a criação de uma família forte e sadia. A Organização Feminina descartou toda atividade teórico-rotineira, adotando, em seu lugar, uma forma prática. A mulher recebe assim aqueles conhecimentos que lhe permitirão a aplicação adequada de sua força espiritual, e com isto virá a constituir para a nação uma geração de mães conscientes das necessidades de seu povo.

A educação pré-maternal tem a seu cargo a preparação tanto física quanto espiritual de mães aptas e compenetradas da responsabilidade que lhes incumbe, e que possam atender ao cuidado e educação de seus filhos, como também estão à altura de sua missão enquanto os deveres de casa. A educação compreende três grupos de ensinamento: Administração da casa, com cursos de cozinha e técnicas de costura; higiene, com cursos sobre o tratamento das crianças e higiene geral e cuidado médico caseiro, e, por último, cursos sobre educação, com instruções para trabalhos manuais, decoração do interior do lugar e lições sobre costumes populares.

Os cursos duram várias semanas. O numero de participantes cresce continuamente. Em 1935 participaram em torno de 186 mil mulheres. Em 1937, seu número subiu para mais de 1 milhão. O número de escolas para mares se eleva a 220, completando outras quatro especialmente para as mulheres pertencentes aos territórios assolados por calamidade pública, que não podem seguir com os cursos, mas que estão capacitadas para propagar seus conhecimentos entre sua vizinhança. Além disso, existe em Wedding-Berlin uma escola nacional para as mães, destinada a ser a oficina central e organizada, especialmente para a instrução de mestras.

Os mesmos cursos regem no campo da economia nacional. As mulheres e moças devem aprender a empregar aqueles bens adquiridos por meio do trabalho, em tal forma que possa justificá-lo ante a situação total de seu povo. Desta maneira, será possível transformar uma existência penosa em uma vida bela e alegre. Com este fim, as jovens são educadas previamente no Serviço Feminino do trabalho obrigatório.

Além da Obra Feminina Alemã, a Associação Feminina da Frente alemã de trabalho, a qual corresponde da missão especial da instrução político-social da mulher, que consiste na luta pela honra do trabalho feminino e pela proteção da mãe trabalhadora. A diretora desta Oficina é a chefe nacional da Associação feminina, Sra. Scholtz-Klink. A Oficina feminina procedeu, entre outras coisas, a implantação de quatro disposições: o intercâmbio de postos de trabalho, o relevo periódico nos trabalhos pesados, o acordo com a Beneficência social nacional-socialista em favor das trabalhadoras em estado de gravidez, e a concessão de uma licença complementar para estas e sua substituição por moças estudantes.

Por meio do intercâmbio de colaborações, as mulheres cuja subsistência esteja assegurada de modo mais leviano, serão substituídas por homens. Isso se realizaria em sua maior parte, dando trabalho ao marido ou aos filhos a falta do mesmo. Outra forma de intercâmbio consiste no translado das mulheres a postos de trabalho ligeiro, e dos homens ao pesado. Isto foi levado a cabo em grandes proporções, e ali onde o trabalho do homem é executado, em casos especiais, pela mulher, que procurou nivelar seu salário com o do homem.

Até a nova reforma da Lei de proteção da mulher, a Oficina Feminina havia estabelecido um acordo com a Beneficência social nacional-socialista, segundo a qual as mulheres poderiam abandonar o trabalho quatro ou seis semanas antes do parto, recebendo, além de seu salário, um subsidio complementar. A substituição das trabalhadoras pelas estudantes tem sua origem no desejo de descanso mais prolongado, com gozo do salário completo, além da permissão que lhe corresponde por direito. Até agora, 2.600 moças estudantes e outras afiliadas da Associação Feminina Nacional-Socialista apresentaram serviço nas fábricas, proporcionando com isso às mulheres trabalhadoras ao redor de 43.000 dias de descanso suplementar, com pagamento integro de salário.


A jornalista alemã Eva Herman reconheceu em público
que o Nacional Socialismo possuía uma política familiar admirável

A Sra. Scholtz-Klink é ao mesmo tempo chefe nacional da Liga nacional feminina da Cruz Vermelha alemã. Deste modo, também esta instituição internacional recebe um impulso extraordinário. Em virtude de um convênio especial, a Cruz Vermelha alemã tomou a seu cuidado a instrução das afiliadas da Associação feminina nacional-socialista para sua formação como pessoal auxiliar feminina. Desta sorte, o serviço de sua colaboração poderá absorver uma corrente de mulheres, dispostas ao cumprimento de suas obrigações políticas e previstas de um espírito de responsabilidade para a coletividade do povo, com maior razão, porque a mulher alemã, como temos mencionado já, possui uma inclinação natural para a assistência aos enfermos. As enfermeiras da Cruz Vermelha trabalham em colaboração com os elementos femininos da comunidade nacional-socialista de Beneficência social, em assistência aos enfermos e aos jardins de infância, e prestam seus serviços em ocasião de manifestantes populares, reuniões políticas no aeródromo de Tempelhof em Berlim, nos Congressos do Partido em Nuremberg, nas reuniões de Bückeberg, etc. Atualmente, a Cruz Vermelha alemã tem a seu serviço 91 mil enfermeiras e ainda há muito que se fazer. Os trabalhos realizados durante estes seis dias demonstram claramente que a obra acabará por ser terminada e desaparecerão muitos dos obstáculos atuais.

A Sra. Scholtz-Klink me dizia em uma ocasião: “Nós prosseguimos nosso próprio caminho, caminho este que nos conduz a nós mesmas; nossa própria estima nos faz continuar consequentemente por este caminho. Não devemos tropeçar nos obstáculos à frente, mas sim fazer deles os degraus para escalar mais acima ainda. Esta atitude nossa deverá ser apreciada também por todos aqueles homens que amam a seu povo da mesma maneira que nós amamos ao nosso”.

fonte:http://inacreditavel.com.br/wp/a-mulher-no-iii-reich/


 

Historiadores apresentam relatório sobre massacres nazistas na Itália

 
Entre 1943 e 1945, milhares de italianos morreram em massacres comandados pela Wehrmacht e a SS nazista. Uma comissão de historiadores ítalo-alemães apresentou um relatório sobre os crimes cometidos.
O relatório final da comissão de historiadores italianos e alemães sobre os massacres da Wehrmacht e da SS (organização policial-militar do partido nazista) na Itália, apresentado nesta quarta-feira (19/12) em Roma, abriu velhas feridas. Documentados estão 5 mil casos de saques, estupros e assassinatos pelas tropas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
O italiano Elide Ruggeri, que sobreviveu milagrosamente a um massacre da SS em 29 de setembro de 1944 em Marzabotto, nas montanhas ao sul de Bologna, recorda: "Eu estava lá e veio um da SS, que matou uma menina. Ela estava com a cabeça esmagada e gemia. Ele deu um golpe nela e eu pensei: o próximo vai ser para mim. Ele me fixou com o olhar, e aí disse: 'Niente kaputt'. Assim, ele deu a entender que não ia me matar".
De aliados a inimigos
Cemitério de Marzabotto: último descanso do massacre
 
O massacre de Marzabotto tem uma história prévia, que teve início em 8 de setembro de 1943. Quando a Itália anulou a aliança com a Alemanha nazista, os antigos aliados se tornaram inimigos. De um dia para o outro, as tropas alemãs no país se tornaram forças de ocupação e deixaram um rastro de destruição durante sua retirada em direção ao norte. O número de unidades era reduzido, mas a crueldade por elas praticada não teve limites, narra Wolfgang Schieder, professor de história contemporânea e vice-presidente da comissão de historiadores ítalo-alemães.
Durante três anos e meio, a serviço de Roma e Berlim, os historiadores pesquisaram a sangrenta história dos últimos anos da Segunda Guerra Mundial na Itália. Para tal, basearam-se nas vivências das pessoas afetadas, tanto das vítimas como dos criminosos, enfatiza Schieder. O foco da comissão não era a Wehrmacht (Forças Armadas nazistas), a população civil ou a Resistência, mas sim quem fez o quê, onde e quando.
Dessa perspectiva sobre a história ítalo-alemã resulta uma imagem diferente, que refuta mitos nacionais amplamente divulgados na Itália. Por exemplo: que desde 1943 a nação estaria unida na "Resistenza", a resistência contra Hitler. Em suas missões, as tropas alemãs foram repetidamente apoiadas por fascistas italianos e simpatizantes de Mussolini. Essa nova visão sobre os fatos também era um objetivo do trabalho da comissão de historiadores. "O problema da colaboração deve ser pesquisado mais intensamente. Aí se revelam aspectos bem diversos dos de uma perspectiva apenas a partir da resistência", diz Schieder.

A comissão de historiadores foi criada após o Supremo Tribunal da Itália haver condenado a Alemanha, em 2008, a pagar uma indenização, ameaçando, para tal, confiscar propriedades do governo alemão na Itália. Do ponto de vista jurídico, o caso já está esclarecido: a Corte Internacional de Justiça de Haia indeferiu as exigências em relação à Alemanha, argumentando que um Estado não pode responsabilizar outro. Para as vítimas e suas famílias, porém, o veredicto é decepcionante.
Até a queda de Mussolini, Alemanha e Itália eram amigas
O sofrimento dos sobreviventes

Calcula-se que, somente no massacre de Marzabotto, 1.830 pessoas foram mortas, quase todas civis, incluindo idosos, mulheres e crianças. Gianluca Lucarini, cujos avós morreram no massacre, é presidente da Associação de Vítimas de Marzabotto. Ele descreve as sequelas que os descendentes das vítimas sofrem até hoje. "Essa é a minha herança, uma parte muito difícil da minha vida. Pois o meu pai perdeu os pais dele aos 18 anos, e é claro que ele também transferiu essa dor para a família que fundou."
Lucarini relata que seu pai não teve uma vida fácil, porque naquele tempo não havia ninguém que pudesse ajudá-lo a levar a vida para frente e entender o que exatamente havia acontecido.
Saber exatamente o que aconteceu – esse é o objetivo do relatório da comissão de historiadores. Para o pai de Lucarini e para a grande maioria das vítimas, no entanto, um relatório que chega tarde demais.


fonte:http://www.dw.de/historiadores-apresentam-relat%C3%B3rio-sobre-massacres-nazistas-na-it%C3%A1lia/a-16469186

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O inimigo interior


Estupros e suicídios. Os adversários mais ameaçadores das Forças Armadas norte-americanas são internos. Nos dois últimos anos, ao menos 21 mil soldados sofreram violência sexual. Atualmente, um militar da ativa se mata a cada 24 horas. E um veterano, segundo o Department of Veterans Affairs, tira a própria vida a cada 80 minutos. Do início da Guerra do Afeganistão, em 2001, até 10 de junho deste ano, mais combatentes se suicidaram (2.676) do que morreram em atividades bélicas (1.950) no país asiático.
Dor. No filme, a fuzileira naval Ariana Klay e Kori, da Guarda Costeira, com o marido Roth. Foto: Cinedigm/Docurama Films

Apesar de os números alertarem para a gravidade da situação, as Forças Armadas estão perdendo a batalha contra essas duas ameaças. Segundo uma reportagem da revista Time, citada no plenário do Congresso dos Estados Unidos, os militares “não conseguem vencer o seu inimigo mais insidioso”. “Esse problema talvez seja o desafio mais frustrante com o qual me deparei desde que fui nomeado secretário de Defesa”, admitiu Leon Panetta, em entrevista recente. A mesma dificuldade é vista no combate aos estupros de soldados, ­sendo do sexo feminino a maioria das vítimas. O belicismo, o espírito de corpo, o respeito cego à hierarquia e o medo de ameaça à promoção na carreira inibem o pedido de ajuda. Mesmo aqueles que procuram auxílio são ignorados pelos superiores.
“Instituições poderosas preferem acobertar crimes a admiti-los”, diz o do­cumentarista Kirby Dick a ­CartaCapital. “Podemos confirmar esse tipo de reação com o atual esforço da Igreja Católica para esconder os casos de abuso sexual cometidos por clérigos.” Dick é o diretor de The Invisible War (A Guerra Invisível, em tradução livre), filme muito comentado durante o Human Rights Watch Film Festival, realizado em Nova York há cerca de um mês, e ganhador do prêmio de melhor documentário segundo a audiência no Sundance Film Festival. O longa-metragem, cuja exibição no Brasil a HBO Latin America ainda negocia, mas que estará disponível em DVD nos Estados Unidos a partir de 23 de outubro, apresenta entrevistas com 12 militares mulheres decididas a falar sobre a violência sexual contra elas.

O filme mostra que as combatentes em zonas de guerra correm um risco maior de ser estupradas por um colega do que de morrer sob fogo inimigo. A frequência desse tipo de violência entre os militares é o dobro na comparação com a da sociedade civil. Mas apenas 8% dos casos são levados a julgamento. Desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mais de 500 mil militares foram estuprados. “Instituição mais poderosa dos Estados Unidos, as Forças Armadas transformaram em política não oficial a negação das acusações, o descrédito das vítimas, a classificação dos críticos como antipatrióticos e a ameaça implícita de cancelamento de contratos com entidades privadas que sabem dos delitos.”
Existem duas fortes razões para que esse crime sexual tenha sido ignorado por décadas, segundo Dick. “Quem está servindo não tem permissão de falar com jornalistas sem o consentimento dos superiores. De acordo com uma decisão tomada pela Suprema Corte em 1955, ninguém pode processar as Forças Armadas por crimes cometidos enquanto estiver em serviço.” Para o documentarista, se as vítimas de estupro pudessem ir à Justiça, muitos crimes seriam evitados ou, ao menos, revelados, pois atualmente “a chance de o público saber é muito pequena”.

Após a exibição de The Invisible War em Sundance, no início deste ano, Leon Panetta anunciou a criação de uma ­unidade de atendimento especial às vítimas de estupro em cada ramo das Forças Armadas. O documentário segue a linha de outros trabalhos de Kirby, cineasta sem receio de tomar partido quando ataca a hipocrisia e os desmandos de poderosos e instituições. Em Outrage (2009), indicado a um Emmy, ele tratou de políticos republicanos que são homossexuais enrustidos, mas votam contra leis como a do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ao confrontar os abusos sexuais do clero católico em Twist of Faith (2004), indicado ao Oscar de melhor documentário, o diretor acompanhou os efeitos da decisão de Tony Comes de tornar público um trauma pessoal. Comes decidiu fazer isso após descobrir ser vizinho do padre que o estuprou 20 anos antes, quando era adolescente.

Vítima. A aviadora Jessica Hinves em cena de The Invisible War

Kirby teve a ideia de dirigir The Invisible War após ler The Private War of Women Soldiers (A Guerra Privada das Mulheres Militares), uma reportagem de Helen Benedict publicada pelo website noticioso Salon em 2007 e transformada em livro dois anos depois. Durante a produção do filme, Kirby e a sua equipe descobriram em primeira mão o acobertamento contínuo de numerosos casos de assédio e violência sexuais em Marine Barracks, em Washington, D.C., posto mais antigo dos fuzileiros navais norte-americanos onde fica o alto comando dessa força de elite.
O documentarista conta ter enfrentado vários obstáculos para produzir The Invisible War. “Convencer vítimas de estupro a falar para a câmera a respeito da sua experiência foi um desafio significativo.” Ele teve a ajuda de psicólogos, advogados e jornalistas para localizar e entrevistar mais de cem mulheres. Conversou também com especialistas que atuaram para a Justiça Militar e comentaram “os procedimentos enviesados e ineficazes de investigação e julgamento”.
O diretor delegou a tarefa de ­entrevistar as vítimas para Amy Ziering, produtora do filme. “Decidimos que Amy conduziria as entrevistas, porque as mulheres se sentem mais confortáveis para relatar a violência sexual a outra mulher.” Segundo o documentarista, a reconstituição do trauma em palavras e diante de terceiros era uma forma de enfrentar o medo de represália pelo alto-comando, contrário à revelação dos crimes. “Relatar o estupro ­para quem tinha consciência da gravidade da situação foi reconfortante.” Kirby conta que o marido de uma das vítimas ­disse não compreender o estado emocional da companheira até assistir a The Invisible War. “Ao perceber que a reação da sua esposa era similar à das outras vítimas, ele foi capaz de assimilar a experiência dela.”
A maioria das mulheres estupradas por colegas culpa a si mesma, pois acredita ser, de alguma maneira, responsável pelos ataques sexuais. Mesmo quando prejudicados, os militares são relutantes em se rebelar contra uma instituição que aprenderam a admirar, diz Dick. Em muitos casos, a carreira militar fora antes seguida por avós e pais. Além de sofrerem de estresse pós-traumático e agorafobia, as entrevistadas de The Invisible War confessaram ter considerado ou tentado o suicídio em várias ocasiões.
De acordo com estatísticas do Departamento de Defesa, 95% dos militares suicidas são homens, 83% tiraram a própria vida em território norte-americano e 47% têm menos de 25 anos. Ao menos um terço dos que se matam nunca lutou em uma guerra. Um dos casos mais recentes envolve o julgamento e a absolvição do sargento Adam H. Holcomb pela morte do soldado Danny Chen. Em 2011, enquanto servia no Afeganistão, Chen disparou um tipo na cabeça após sofrer maus-tratos de Holcomb e reclamar de perseguição dos seus companheiros.
Quando tratou da onda de suicídios nas Forças Armadas, a revista Time contou em detalhes as histórias de dois militares. Michael McCaddon, médico, sofria de depressão e se enforcou em uma sala do hospital onde trabalhava, no Havaí. Após rea­lizar 70 missões no Iraque em nove meses, Ian Morrison, piloto de helicóptero, voltou aos Estados Unidos. Ele teve dificuldade para se adaptar à rotina. Matou-se com um tiro no pescoço. Os dois vinham desenvolvendo carreiras promissoras antes de se suicidarem, por coincidência, no mesmo dia: 21 de março deste ano.
Incentivados por suas esposas, tanto McCaddon quanto Morrison procuraram a ajuda dos superiores, apesar do medo de essa atitude comprometer possíveis promoções. Seus pedidos foram desprezados. O alto-comando atribuiu os distúrbios psicológicos dos dois militares a problemas familiares. Ambos estavam satisfeitos com as suas vidas profissionais, segundo a interpretação oficial. Essa negligência se ­reflete em cifrões. Por ano, o Pentágono destina apenas 2,1 bilhões de dólares (4% das suas verbas médicas) ao tratamento de doenças mentais. A situação pode piorar com o corte de 500 bilhões de dólares no orçamento da Defesa previsto para janeiro de 2013.
Os suicídios de McCaddon e Morrison desafiam as explicações fáceis. Ambos mostravam sentir vergonha de si mesmos, relatam as esposas. Diziam não estar à altura da sua vocação. Os dois padeceram às avessas da loucura de Travis Bickle. Protagonista de Taxi Driver (1976), filme de Martin Scorsese, Bickle (Robert De Niro) é um fuzileiro naval e veterano da Guerra do Vietnã. Após voltar do campo de batalha com honrarias, ele passa a viver em Nova York, onde trabalha à noite como taxista, pois não consegue dormir. Cada vez mais isolado, vê a sua saúde mental se deteriorar na cidade que considera um esgoto a céu aberto. Ele conhece Iris (Jodie Foster), prostituta de 12 anos, e decide matar os cafetões que exploram a adolescente. Promove uma carnificina e é tratado como herói pelos jornais. Bickle atribuía aos outros a origem dos seus problemas. Ele se considerava um anjo vingador. McCaddon, Morrison e milhares de outros militares norte-americanos pensavam o contrário e se puniram por isso.

O lado oculto da Força Expedicionaria Brasileira


ELES DESONRARAM A FARDA DA FEB


Adão Damasceno Paz e Luís Bernardo de Morais, assassinaram e estruparam envergando o uniforme da FEB
Adão Damasceno Paz e Luís Bernardo de Morais, assassinaram e estruparam envergando o uniforme da FEB
A HISTÓRIA DE DOIS PRACINHAS QUE QUASE FORAM PARA O
PELOTÃO DE FUZILAMENTO POR HOMICÍDIO E ESTUPRO
 
Na atualidade, passados mais de sete não décadas do fim da Segunda Guerra Mundial, a visão que a maioria do povo brasileiro possui da FEB – Força Expedicionária Brasileira, e de sua ação nos campos da Itália é muito positiva.
Primeira e até hoje única força de combate latino-americana a lutar em solo europeu, a ação da FEB está registrada em inúmeros livros de memória, documentários e filmes que enaltecem a participação de simples brasileiros, a maioria deles saídos dos campos de um país ainda prioritariamente agrário, para combater no maior conflito da história da humanidade.
 
FEB1
Aqueles que lá estiveram merecem ter por parte dos familiares, amigos, das autoridades e de todos os brasileiros o amparo, apoio e atenção pelo que fizeram nos campos de combate.
Mas nem todos cumpriram com o seu dever.
SEGUINDO PARA A GUERRA
Em 1942, em meio aos vários afundamentos ocasionados pela ação de submarinos alemães e italianos e a mortes de muitos brasileiros, o sentimento provocado por estas tragédias fez com que o povo apoiasse sem contestação a ida de nossas tropas para lutar contra os nazifascistas.
Manchete comum na época da guerra e que revoltava o povo brasileiro
Manchete comum na época da guerra e que revoltava o povo brasileiro
Homens e mulheres de várias partes do país foram convocados e aceitaram o compromisso de envergar o uniforme das nossas forças armadas para ombrear-se com outras nações aliadas pelo fim do conflito.
Muitos jovens, que anteriormente sequer conheciam algo além da vila mais próxima da fazendinha em que viviam com seus familiares, que utilizavam a enxada como instrumento de trabalho e o chapéu de palha para se protegerem do sol, foram deslocados para outras terras, onde existiam outros sotaques e outros pensamentos. Lá vislumbraram novos horizontes, receberam o fuzil para realizar o seu novo ofício e colocaram o capacete de aço na cabeça.
Essa situação, extremamente comum dentro das fileiras da FEB, se repetiu com Adão Damasceno Paz e Luís Bernardo de Morais, ambos agricultores e oriundos respectivamente da regiões rurais das cidades gaúchas de Santiago e São Borja.
O presidente Vargas visita soldados brasileiros no navio transporte que os levou a Itália
O presidente Vargas visita soldados brasileiros no navio transporte que os levou a Itália
Eles seguiram para o Rio de Janeiro, então capital do país, onde iniciaram um forte e pesado treinamento, aguardando o momento de embarcarem para além mar. Nos momentos de folga os dois rapazes seguiam a conhecer as belezas e o mundo novo que existia na cidade maravilhosa.
Em 2 de julho de 1944, Adão e Luís estavam dentro de um enorme navio como membros do primeiro escalão da FEB e junto a eles estavam milhares de pracinhas vindos de todas as partes do país.
PROTEÇÃO DO GENERAL MASCARENHAS DE MORAIS
Não sei se os dois agricultores se conheceram ainda no seu estado de origem, apesar das suas cidades serem muito próximas, ou no campo de treinamento no Rio, ou ainda no navio transporte que os levou a Itália. Mas na pátria de Dante Alighieri, aonde chegaram a Nápoles no dia 16 de julho de 1944, consta nas informações apuradas que os dois homens foram designados para uma função na FEB que muitos consideravam de extrema honra e importância. Eles ficaram lotados no Pelotão de Defesa do Quartel General, compondo a guarda pessoal do comandante da 1ª Divisão de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira, o general João Batista Mascarenhas de Morais.
Juntos na Itália os generais Mark Clark (esq.) e Mascarenhas de Morais (dir.)
Juntos na Itália os generais Mark Clark (esq.) e Mascarenhas de Morais (dir.)
Segundo a narrativa dos dois ex-militares, que se encontra na edição da “Revista da Semana”, de 16 de julho de 1949, trabalhar na proteção do general Mascarenhas de Morais não era tarefa fácil, pois o comandante estava sempre em deslocamento por toda área de atuação das FEB no norte da Itália.
A todo o momento aconteciam deslocamentos do general, onde durante quatro meses, nas próprias palavras de Luís Bernardo de Morais, os dois rapazes protegeram o general Mascarenhas em suas viagens a linha de frente. Para eles era muito fatigante, pois “o general não parava”.
O general Mascarenhas de Morais recebendo frutas de uma camponesa italiana
O general Mascarenhas de Morais recebendo frutas de uma camponesa italiana
A reportagem de 1949 não comenta nada disso, mas devido à atividade a qual Adão e Luís estavam designados, acredito que eles não entraram efetivamente em combate contra as forças nazifascistas.
Até porque ao general Mascarenhas cabia à função de comandar sua tropa, recebendo ordens do general norte-americano Mark Clark, então comandante do 5º Exército, força militar aliada a qual a nossa FEB estava subordinada na Itália. Não cabia ao general comandante da Força Expedicionária Brasileira se expor desnecessariamente as balas inimigas, ou arriscar uma desastrosa captura e criar sérios entreveros a participação brasileira naquele cenário.
A VERSÃO DOS CRIMINOSOS PARA A IMPRENSA
Em meio a estas andanças, em um dia de folga, segundo eles “Lá pelos lados de Porretta”. Informaram também que passaram dos limites no consumo de álcool, que era franco e facilmente encontrado. Alterados pela bebida, os dois rapazes se sentiram estimulados a procurarem mulheres e saciarem suas vontades sexuais.
Capa da Revista da Semana onde está a reportagem sobre o caso - Fonte - BN
Capa da Revista da Semana onde está a reportagem sobre o caso – Fonte – BN
Na reportagem da “Revista da Semana”, Adão e Luís comentam que a miséria na Itália era intensa e a fome grassava impiedosamente entre os seus habitantes. Premidas pela necessidade, segundo os dois pracinhas, as moças italianas davam preferência aos soldados norte-americanos, mais ricos e com mais comida.
Afirmaram que havia uma casa onde eles sabiam que havia “jovens italianas” que saiam com soldados da U.S. Army. Alterados e encorajados pela bebida, os dois brasileiros foram em busca das jovens, desejosos de receberem os mesmos favores que eram dispensados aos estadunidenses.
Tropas americanas junto a população civil italiana durante a Segunda Guerra
Tropas americanas junto a população civil italiana durante a Segunda Guerra
Na matéria os dois soldados pareceram ficar particularmente irritados com a atitude dos soldados gringos, que passavam acintosamente na frente dos militares brasileiros, levando mais de uma destas mulheres. Percebe-se que eles tinham uma certa inveja dos americanos.
A reportagem não diz o número exato de mulheres que estavam no local, mas informa que os dois soldados brasileiros entraram na casa a noite, armados de submetralhadoras.
Surpresas, as italianas não tiveram como reagir e durante meia hora os brasileiros praticaram várias sevícias contra elas.
Enquanto um montava numa das vítimas o outro ficava de guarda. Nisso Luís ouviu um barulho, saiu para ver o que ocorria e percebeu o vulto de um homem que se aproximava. Em meio gritaria que se formou, ele apagou as luzes do recinto e metralhou a estranha figura.
Os dois soldados brasileiros fugiram pela praça principal deste lugarejo próximo a cidade de Porreta e correram por mais de meia hora, até terem a certeza que não eram perseguidos.
Aqui vemos Luís, Adão e o jornalista Hélio Fernandes
Aqui vemos Luís, Adão e o jornalista Hélio Fernandes
Ao repórter da “Revista da Semana”, Hélio Fernandes, Adão e Luís afirmaram que logo o comentário do ocorrido no lugarejo italiano foi intenso. Em pouco tempo o pessoal do pelotão da Polícia do Exército incorporada a FEB, comandado pelo 1º tenente José Sabino Maciel Monteiro, estavam recebendo informações sobre a situação e os dois militares foram capturados.
A VERSÃO DA JUSTIÇA MILITAR
A reportagem da “Revista da Semana” é muito falha em termos de detalhes, além de extremamente tendenciosa, que pudesse esclarecer mais sobre este assunto. Mas no trabalho de conclusão de curso realizado em 2003, pela historiadora Carolina Mendes Pereira, da Universidade Federal do Paraná, e intitulado “Delitos sexuais cometidos pelos soldados brasileiros em campanha na Itália durante a Segunda Guerra Mundial: do estupro e homicídio ao indulto” (ver http://www.historia.ufpr.br/monografias/2002/carolina_mendes_pereira.pdf) e no próprio Boletim do Exército nº 13, de 31 de março de 1945 (páginas 948 a 953), nos excertos do Parecer n. 8 da Procuradoria Geral (transcritos no blog http://froilamoliveira.blogspot.com.br/2011/10/condenado-morte.html), encontramos informações bem mais detalhadas sobre o caso.
Adão em sua cela
Adão em sua cela
Os dois brasileiros confessaram, segundo o Boletim do Exército, “friamente e com abundância de detalhes” que o fato ocorreu na pequena aldeia medieval de Madognana, distante quase quatro quilômetros da comuna de Granaglione, província da Bolonha, na região italiana da Emilia-Romagna, nordeste daquele país e não muito distante da cidade de Porretta-Termi.
Segundo o trabalho de Carolina Mendes Pereira, os soldados avistaram a vítima, a menor Giovanna Margelli, com 15 anos de idade, por volta das 16 horas, enquanto esta passeava pela rua acompanhada da jovem Vittoria Mendola. Os pracinhas brasileiros seguiram as duas garotas até a casa em que Giovanna estava hospedada e onde ambas haviam entrado.
Quadro típico de uma localidade italiana da região próxima a Magdonana, onde ocorreram os crimes
Quadro típico de uma localidade italiana da região próxima a Magdonana, onde ocorreram os crimes
Inicialmente a dupla se limitou a agradar as pessoas que ali estavam, oferecendo um pedaço de chocolate e dirigiram algumas poucas palavras. De forma vil e dissimulada declararam que não tivessem medo “pois os brasileiros eram bons”, fizeram mais alguns comentários e se retiraram, afirmando que iriam entrar em serviço.
“QUERIA PEGAR A MULHER”
Ao Boletim do Exército informaram que logo após o jantar muniram-se de metralhadoras portáteis e dirigiram-se a casa onde já haviam estado à tarde, em procura de uma mulher, que segundo informaram lhes “tinha feito cara feia”.
Luís acompanhando as notícias na cadeia
Luís acompanhando as notícias sobre as praias cariocas
Na noite de inverno rigoroso os soldados entraram na casa de número 231, às 20h30 de 9 de janeiro de 1945, “movidos por intuitos que não deveriam ser de natureza nobre”, pois seguiram para o seu intento utilizando o chamado ”passa montanha”, gorro com abertura apenas nos olhos.
Neste segundo momento naquela casa, os moradores convidaram-nos a entrar e a aquecer-se junto ao fogo, talvez esperançosos de receber alguma migalha que lhes mitigasse a fome. Encontraram na residência Giovana, a prima Tonina, de 23 anos, o filho de Tonina, Ferdinando, de 3, os primos Stefano, de 20, e Giuseppe, de 14, e a avó doente, Maria Rita.
A seguir Adão Damasceno disse a Luís Bernardo que era melhor apagar a luz de uma lamparina a querosene dizendo “Vamos apagar a luz de uma vez para pegar a mulher no escuro”, esta era Giovanna Margelli. Consta no Boletim do Exército que Luís repetiu a ordem de apagar a luz para Stefano, mas o rapaz não entendeu. O soldado da FEB então deu uma rajada de metralhadora que destruiu a lamparina e todas as pessoas, menos Giovanna, fugiram atemorizadas. Adão conduziu a jovem para o quarto e passou a saciar os seus “instintos carnais”.
Adão com um companheiro de cadeia
Adão com um companheiro de cadeia
Para facilitar a conclusão deste crime covarde, Luís ficou de guarda em uma porta onde ficava de olho no movimento fora do recinto.
Certamente alertado pelos disparos e pelo terror transmitido por quem conseguiu fugir, Leornado Vivarelli, de 57 anos, tio da jovem que estava sendo estuprada, veio em seu auxílio completamente desarmado. Ao ser visto pelo soldado brasileiro este não pestanejou e disparou uma rajada de balas que atingiu o idoso no pescoço e no ouvido. Após o assassinato Luís gritou: “Apressa-te (Adão) que já matei um homem”.
Stefano sustentou outra versão. Afirmou que ouviu o soldado gritar: “Andare via (vá embora)!”. “Após uns segundos, ouvi a descarga de metralhadora. Depois, o silêncio.
No depoimento os soldados disseram que, à exceção de Giovanna, todos “fugiram”. O jovem Giuseppe deu outra versão. Relatou que foi trancado no banheiro por Luiz Bernardo e depois empurrado a um quarto, onde foi obrigado a pular da janela. O soldado ainda teria disparado, sem acertá-lo. Todos relataram que Adão agarrou Giovanna. Ela pediu socorro a Stefano, que alegou nada ter feito por estar desarmado.
Em meio a confusão os soldados inverteram os papéis. Adão foi fazer sentinela. Luiz Bernardo seguiu para o quarto, onde passou meia hora com Giovanna. Depois, disse a Adão que a havia violentado. Mas admitiu em depoimento, versão confirmada pela jovem, que estava embriagado e não conseguiu praticar o ato. Mentiu por “amor-próprio”, ressaltou o auditor do inquérito – uma junta médica da FEB confirmou, sete dias depois, a violência praticada por Adão. Aos médicos, Giovanna disse que foi “tomada pelo terror”.
Após isso os soldados voltaram para o acampamento de sua unidade. Na saída de Madognana, Luiz Bernardo deixou cair um cachecol e uma lanterna e Stefano os achou.
Já no dia seguinte o irmão de Leonardo Vivarelli vai ao encontro de oficiais da FEB e apresenta uma queixa dos crimes praticados. Ele entregou no Quartel-General da 1.ª Divisão de Infantaria Expedicionária, em Porreta Terme, cidade cercada por montanhas controladas pelo exército nazista, os materiais encontrados por Stefano. Detidos, os acusados confessaram tudo e eles são prontamente presos pela Polícia do Exército.
Embora ressalte a embriaguez, forma de evidenciar o desrespeito às normas militares, o processo destaca que o crime ocorreu logo após o jantar, não deixando claro quando e quanto tomaram de vinho.
Ouvido no inquérito como testemunha, o cabo Renan Alves Pinheiro disse que, na tarde do dia do crime, os dois soldados na verdade perseguiram Giovanna pelo vilarejo. Perguntados se podiam justificar sua inocência, Adão e Luiz Alberto ficaram em silêncio. O advogado deles, 2.º tenente Bento Costa Lima Leite de Albuquerque, chegou a afirmar que não houve crime doloso pois Giovanna não teria reagido.
Os dois soldados foram celeremente julgados pela justiça militar brasileira, que na época possuía o Conselho Supremo de Justiça com sede em Nápoles. O auditor do inquérito, tenente-coronel Eugênio Carvalho do Nascimento, condenou os dois à morte por matar um homem para garantir violência carnal. Consta que os dois envolvidos possuíam históricos que registravam prisões por embriaguez e saídas sem autorização do quartel.
Na reportagem publicada no jornal paulistano O Estado de São Paulo, edição de domingo, 25 de agosto de 2012, comemorativa aos 70 anos da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o repórter Capixaba, Leonencio Nossa, atualmente trabalhando na sucursal de Brasília do jornal O Estado de São Paulo, informa que uma dezena de estupros foram praticados por pracinhas na Itália. Mas apenas o caso de Adão e Luiz Bernardo foi julgado devido aos assassinatos. O jornalista não aponta detalhes.
O Gen. Morais (centro) junto a oficiais aliados - Fonte - FGV-CPDOC
O Gen. Morais (centro) junto a oficiais aliados – Fonte – FGV-CPDOC
Desde o dia 6 de novembro de 1944, quase quatro meses após a chegada da FEB na Itália, o Quartel-General do general Mascarenhas estava na pequena cidade de Porretta-Termi. Deste ponto o bravo general comandou o primeiro dos cinco ataques que iriam tomar Monte Castelo dos alemães, fato ocorrido somente em 21 de fevereiro de 1945. Como estes dois homens faziam parte da guarda do general Mascarenhas de Morais, imagino o quanto deve ter sido difícil para o comando da FEB, em meio aos inúmeros problemas relativos aos combates de Monte Castelo, saber que dois membros da sua guarda pessoal estavam envolvidos em homicídio e estrupo.
PENA CAPITAL
Segundo o trabalho da historiadora Carolina Mendes Pereira, no caso dos soldados Adão e Luís, o crime de estupro por eles cometidos estava descrito nos artigos 192 e 312 do Código Penal Militar vigente em 1944, isto é, código das normas aplicadas aos crimes cometidos na guerra.
Os artigos acima mencionados apontam que:
Art. 192. Constranger mulher a conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça: Pena – reclusão, de três a oito anos.
Art. 312. Praticar qualquer dos crimes de violência carnal previstos nos arts . 192 e 193, em lugar de efetivas operações militar: Pena – reclusão, de quatro a doze anos.
Parágrafo único. Se da violência resulta:
Lesão corporal de natureza grave: Pena – reclusão, de oito a vinte anos;
Morte: Pena – morte, grau máximo; reclusão de quinze anos, grau mínimo.
A historiadora aponta que no caso da execução da pena capital em crimes militares ocorridos em tempo de guerra, a pena seria realizada através do fuzilamento do culpado. Se ela é imposta em zona de operações de guerra, pode ser imediatamente executada, quando exija o interesse da ordem e da disciplina militar.
Artilheiros da FEB na Itália. Todos os soldados brasileiros estavam sujeitos a rígidos códigos militares
Artilheiros da FEB na Itália. Todos os soldados brasileiros estavam sujeitos a rígidos códigos militares
Carolina Pereira mostra que um total de 66 sentenças foram proferidas contra militares brasileiros da FEB, sendo que metade foi lavrada na Itália e outra metade no Rio de Janeiro. Das 33 condenações conhecidas na Itália, duas foram proferidas em Pisa, 14 em Pistóia, sete em Pavana, duas em Vignola e oito em Alessandria. A primeira destas condenações ocorreu em Pisa, em 2 de outubro de 1944.
Já em relação ao caso aqui comentado, a historiadora aponta que pela justiça militar, Adão e Luís deveriam ter sido sumariamente fuzilados na própria frente de combate.
Pelotão de fuzilamento americano, executando um colaboracionista dos alemães
Pelotão de fuzilamento americano, executando um colaboracionista dos alemães
Na análise dos documentos do processo, percebe-se no texto de um dos votos dos membros do Conselho Supremo de Justiça Militar, que a execução da pena de morte destes dois elementos na frente de combate era aceita. Vemos isso claramente no Diário de Justiça, Ano XX, março de 1945 – Sentença de Pena de Morte em tempo de Guerra, apelação nº 21, da 2º auditoria militar da 1º D. I., cujo relator, o general Boanerges Lopes de Souza, assim se pronunciou em 6 de março de 1945:
“Votando, como voto, pela confirmação da sentença, defendo a honra do Exército e a própria civilização brasileira. Não fossem os embaraços opostos pela moderna legislação, estou certo de que o comandante das forças brasileiras na Itália teria, com grande proveito para a boa ordem de suas tropas, feito fuzilar, sem quaisquer delongas, esses criminosos.”
SOFRIMENTO DAS MULHERES NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
O hediondo crime de estrupo durante a Segunda Guerra Mundial foi quase um lugar comum em todas as frentes de combate, praticado por todos os envolvidos no conflito e pouco apresentado nos filmes de guerra estrelados por John Wayne e companhia.
Nas guerras as mulheres civis normalmente se tornam alvos fáceis para diversas práticas de violências
Nas guerras as mulheres civis normalmente se tornam alvos fáceis para diversas práticas de violências – Fonte – AP Photo
Segundo o site progettolineagotica.blogspot.com (http://progettolineagotica.blogspot.com.br/2009/06/stupro-di-guerra-lonu-scopre-una-nuova.html ), entre 1943 e 1945 as normalmente belas mulheres italianas foram duramente atacadas em seu país.
Na região onde existia o setor de defesa alemão denominado “Linha Gótica”, em seis meses do ano de 1944, em particular em torno Marzabotto, bem como nos Apeninos, Ligúria e Piemonte, foram registrados 262 casos de estupro realizados pelos chamados de “Mongóis”, os desertores soviéticos de origem asiática, que passaram a servir no exército alemão.
Mas as italianas, tal qual a mulher atacada pelos brasileiros Luís e Adão, sofreram igualmente nas mãos de tropas aliadas. Segundo este site, entre 15 e 17 de maio de 1944, os soldados coloniais franceses que chegaram à cidade de Esperia, antiga sede da 71º Divisão de Infantaria da Wehrmacht (Exército Alemão), protagonizou o estupro contra muitas mulheres que chocou os comandantes aliados.
Está mais do que marcado no imaginário popular como os russos tyrataram as alemãs em 1945. Mas muitos apontam que eles apenas repetiam o que as tropas de Hitler haviam protagonizado com as russas


Está mais do que marcado no imaginário popular como os russos trataram as alemãs em 1945. Mas muitos apontam que eles apenas repetiam o que as tropas de Hitler haviam protagonizado com as mulheres russas
Até mesmo nas forças armadas norte-americanas houve inúmeros destes casos. A maioria das ocorrências de pena de morte envolvendo tropas americanas durante a Segunda Guerra Mundial ocorreu devido a estupros ou assassinatos contra mulheres, a maioria delas alemães.
De acordo com documentos no Arquivo Nacional daquele país, só no teatro de guerra europeu, o exército dos Estados Unidos condenaram 443 de seus próprios soldados à morte por crimes de guerra. Destes 96 foram executados, a maioria pela forca. O número total de soldados americanos executados em todas as frentes de combate durante aquele conflito foi de aproximadamente 300.
Corpo do soldado americano Eddie Slovik sendo retirado após seu fuzilamento
Corpo do soldado americano Eddie Slovik sendo retirado após seu fuzilamento. Sua condenação foi por deserção
Para os americanos a desonra envolvida nestes casos era uma coisa era tão séria, que aqueles que foram executados estão enterrados fora de seus vários cemitérios militares. As autoridades militares se recusaram a dar a estes criminosos o privilégio de serem enterrados ao lado dos que caíram em combate.
Um caso típico envolve o estupro de uma mulher italiana na Sicília. Quatro membros de uma unidade de soldados negros que havia desembarcado na invasão daquela ilha italiana em 9 de Julho de 1943, entraram uma tarde na pequena aldeia de Marretta, perto da cidade de Gela. Lá David White, Armstead White, Harvey L. Stroud, e Willie A. Pitman, estupraram e surraram seriamente uma mulher italiana diante de seus familiares. Mais tarde todos os quatro foram julgados e condenados por estupro. Em pouco mais de um mês todos quatro militares foram sumariamente executados por enforcamento.
DE VOLTA AO BRASIL
Mas voltando ao caso dos brasileiros Adão e Luís. Consta que estes foram enviados para uma prisão em Roma, destinada a receber os sentenciados a morte pelas forças aliadas e ali aguardaram o destino.
O ex-pracinha Luís, diante da imagem de sua santa padroeira, Nossa Senhora das Graças
O ex-pracinha Luís, diante da imagem de sua santa padroeira, Nossa Senhora das Graças
 
Segundo os dois condenados, teria sido um “Cardeal”, do qual não é citado o nome, que conseguiu transformar a pena dos dois brasileiros em 30 anos de prisão. Não encontrei nada que corroborasse esta afirmação da entrevista feita pelo jornalista Hélio Fernandes, mas é certo que eles não morreram diante de um pelotão de fuzilamento.
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Relação dos militares sentenciados da FEB, trazidos no navio Pedro I
Relação dos militares sentenciados da FEB, trazidos no navio Pedro I
Em julho de 1945 os dois foram então embarcados no navio brasileiro Pedro I, junto com outros 900 pracinhas. Durante a travessia oceânica eles ficaram sob a guarda da Polícia do Exército, que além dos soldados Adão e Luís custodiavam outros 54 condenados. Constavam da lista um segundo tenente dentista, um suboficial, um sargento, três cabos e os outros eram soldados (ver a relação completa acima, retirada do jornal carioca “Correio da Manhã”, pág. 9, edição de quarta feira, 25 de julho de 1945).
Segundo a historiadora Carolina Pereira, em 3 de dezembro de 1945, o presidente Getúlio Vargas assinou o Decreto 20.082, que concedeu indulto a todos os integrantes da FEB que cometeram crimes durante a Segunda Guerra Mundial, excluindo os crimes de natureza gravíssima ou infamante, como os praticados por Adão e Luís.
Já no Rio de Janeiro os dois passaram a cumprir os 30 anos de pena na então conhecida Penitenciária Central do Distrito Federal, antiga Casa de Correção, que em 1957 seria batizada como Penitenciária Lemos de Brito.
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Segundo a reportagem Adão e Luís tinham bom comportamento, eram respeitados pelos companheiros de cadeia e não criavam problemas para o Diretor Castro Pinto. Como mostra de boa conduta naquele recinto penitenciário, ambos possuíam um distintivo no formato de estrela que envergavam no peito
Em 1949 eles aguardavam um indulto presidencial, que havia sido positivamente recomendado pelo Conselho Penitenciário do Distrito Federal . Mais tarde o processo de indulto restituiu a liberdade aos ex-pracinhas.
Após deixar qualquer prisão, após o cumprimento de qualquer pena imposta, o antigo sentenciado está livre para conviver novamente com a sociedade. Mas no caso destes homens, aparentemente o fardo foi muito grande.
Segundo a reportagem de Leonencio Nossa, os dois ex-soldados da FEB morreram na década de 1990. Consta que Adão vivia solitário, andava em dificuldades. Anos depois da guerra, foi acusado de furto. Na audiência, o juiz perguntou se já havia sido processado. “Fui condenado à morte.” O juiz se assustou: “Que história é essa? Brasil não tem pena de morte”.
CONCLUSÃO
Adão junto a São JorgeA historiadora Carolina Pereira aponta que a guerra não produz só heróis. Os conflitos constroem e desmascaram monstros, embalam pesadelos, dão visibilidade à parte mais vil e desumana do ser humano.
As guerras não são apenas constituídas de batalhas, mas, também, de incessantes horas de espera e vigília dos atores, direta ou indiretamente, no front, remete à possibilidade da existência de um convívio social.
 
Adão junto a São Jorge
Os combatentes interagem não só dentro do próprio corpo do exército, mas também com a população local onde estão alojados. Pode-se dizer que nestes cenários são travadas outras batalhas em que tais populações recebem o rebatimento das condições físicas e emocionais dos militares. Para a historiadora a população civil também é vítima do estado de guerra.
Joel Silveira na FEB
Joel Silveira na FEB
O falecido jornalista Joel Silveira, correspondente de guerra brasileiro na Itália, deixou registrado em um recente documentário produzido pelo repórter Geneton Moraes Neto, que na retaguarda as brutalidades podem ser piores do que na frente de combate. E realmente ele tinha razão. Naqueles dias em solo italiano o ato sexual era mercadoria de troca, pois a miséria e a devastação causada pela guerra fizeram com que a população local trocasse o corpo por comida e proteção.
Sabemos que todas as instituições militares em combate estão sujeitas a possuírem em suas fileiras, por mais que existam ótimos critérios de seleção, as chamadas “maçãs podres” e no caso da FEB não foi diferente. Mas percebemos, ao remeter-se a realidade enfrentada pelos soldados brasileiros em solo italiano, que a incidência de crimes de violência sexual no meio de nossa tropa pode ser considerada pequena porem marcantes de forma traumatica as vítimas dessas ações bestializadas por soldados que se dizem defensorem da liberdade.
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Fonte: http://tokdehistoria.wordpress.com/tag/soldados-brasileiros/