segunda-feira, 22 de abril de 2013

Traumas de guerra

 

O Exército americano transforma homens em máquinas de matar, mas não os ensina a continuar vivendo. Milhares são vítimas de estresse pós-traumático, uma doença que condecora soldados com paranóia, vícios e suicídio


Faluja, Iraque, 9 de novembro de 2004. No telhado de um prédio, o cabo James Blake Miller, fuzileiro naval dos EUA, tentava se proteger e manter os insurgentes o mais longe possível dele e de seus companheiros. No agito do tiroteio, seus companheiros quase atingiram Luis Sinco, fotógrafo do Los Angeles Times que acompanhava a unidade e que, findo o combate, tirou um retrato de Miller.

No dia seguinte, centenas de jornais traziam a imagem de Miller, cigarro pendurado nos lábios, o rosto coberto de sangue e sujeira. Ainda que a contragosto, virou celebridade, com direito a carta do presidente e dispensa honrosa - ninguém queria que o Marlboro Marine, como ficou conhecido, se machucasse. Mas o estrago já havia sido feito.

Feliz por estar de volta, o marine não se preocupou quando a esposa disse que ele estava apertando o pescoço dela durante a noite. Achou que era passageiro, assim como seus pesadelos sobre o Iraque. Só depois de olhar pela janela e ver o corpo de um iraquiano na calçada, Miller resolveu buscar ajuda profissional de um psiquiatra militar. Diagnóstico: o herói estava com trauma de guerra. Como tantos treinados para a guerra, ele não conseguia achar a paz.

Tragédia ignorada

Os EUA estão no Iraque por mais tempo do que lutaram na 2ª Guerra Mundial. Foram 4 anos na luta contra Hitler, e já são 6 de conflitos pós-Saddam. Se contarmos as operações no Afeganistão, 1,5 milhão de americanos serviram em batalha entre 2001 e 2007. Desses, 4 mil morreram e 60 mil foram feridos ou caíram doentes. Mas nem todas as cicatrizes são visíveis. Na mente de alguns soldados, a batalha nunca termina.

O principal problema psicológico que aflige os ex-combatentes é o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), que inclui flashbacks do combate, paranóia constante e a incapacidade de funcionar no ambiente familiar, social e profissional. É o nome atual do que ficou conhecido como trauma de guerra.

Não é uma honra exclusiva de militares. O TEPT pode atacar qualquer vítima ou testemunha de desastres naturais, incidentes terroristas, acidentes sérios ou ataques violentos - qualquer evento aterrorizante em que a morte ou ferimentos graves são possíveis.

A diferença é que estatísticas apontam que 5% da população desenvolve algum nível de estresse pós-traumático, enquanto ao menos 10% dos combatentes desenvolvem o problema plenamente.

Esse problema é turbinado pelas condições das guerras atuais, onde as tropas lidam com múltiplos realistamentos por períodos estendidos, curtos períodos de sono, operações de 24 horas sem descanso, missões alteradas constantemente e muito conflito de guerrilha, onde combatentes e civis se misturam. Na 2ª Guerra Mundial, onde o combate era menos complexo e os inimigos mais claros, 1 a cada 20 veteranos apresentaram sintomas relacionados ao TEPT, 5% do total, índice que subiu para 15% na Guerra do Vietnã. Com o conflito do Iraque ainda ativo, não há dados definitivos, mas especialistas estimam que sejam uns 30%. Um estudo de 2004 aponta que 40% dos soldados que voltaram da "guerra contra o terror" procuraram tratamento psicológico. E não foi para superar fim de relacionamento. "A guerra significa algo diferente para nós que já olhamos através da mira de rifle apontado para outro ser humano, para aqueles que viram uma menina de 9 anos ser atingida por fogo cruzado. Estou comentando somente uma fração do que ainda me atormenta em relação a minha experiência no Iraque", diz um soldado que serviu como médico em 2004 e escreveu seu depoimento em um site de veteranos.

E os dados são apenas dos que buscaram ajuda. Um estudo do Departamento de Defesa dos EUA mostra que 60% dos fuzileiros navais que estiveram no Iraque e tiveram sintomas de depressão grave e TEPT acabaram não procurando ajuda por medo de prejudicar sua carreira ou de ser tratados de forma diferente pelos companheiros de farda.

Cuca fundida

Nossa falta de atenção e compreensão com os traumas de guerra pode vir da dificuldade que temos para entender o que se passa na mente de suas vítimas.

Claro, dá para ter uma vaga idéia, já que traumas e desastres são parte da experiência do ser humano - a evolução nos dotou com habilidade nata de adaptação a ambientes e circunstâncias variáveis. Estatisticamente, 50% de nós sobrevive a ao menos um evento traumático ao longo da vida. E, após um trauma, o normal é continuar revivendo o episódio na memória: é a maneira que o cérebro tem de processar e aprender com o estresse para depois prosseguir com sua programação normal.

O TEPT ocorre justamente quando o cérebro passa por tantos eventos traumáticos que vai perdendo, aos poucos, a capacidade de absorver esses impactos. Nesse caso, recordar é viver com medo. Richard Pierce, um veterano do Vietnã, descreve o desenvolvimento gradativo do TEPT dentro da mente de um indivíduo: "Em seus estágios iniciais, eu acho que os pesadelos, o isolamento e a ansiedade são reações defensivas naturais a uma experiência muito traumática. Nas primeiras etapas, é como uma dor de dente que incomoda. Se não for tratada, a infecção cresce e apodrece tudo. Nesse momento, se torna uma doença", diz ele no livro de Ilona Meagher Moving a Nation to Care (algo como "Fazendo uma Nação se Importar", como todos neste texto, sem edição brasileira). Se não for tratado de maneira correta, o TEPT vira um dano permanente, como um arranhão em um vinil.

Edward Tick, um psicoterapeuta clínico com 25 anos de experiência no tratamento de veteranos, em seu livro War and the Soul ("A Guerra e a Alma"), define o TEPT como uma "consciência de guerra congelada". O tempo parece estar parado, enquanto aquele que sobreviveu ao trauma relembra o evento através de recordações inesperadas e pesadelos. "Cada vez que as situações são revividas, o indivíduo fica mentalmente e fisicamente exaurido. Suas ansiedades e frustrações aumentam e ele gradualmente vai perdendo o controle", escreve Tick. A vítima começa a "organizar a sua vida em torno do trauma. Seu trabalho, suas relações familiares e sua saúde começam a se deteriorar".

Aprender a matar

No passado, os generais formavam seus batalhões catando cidadãos comuns por onde passavam. Eram soldados de uma guerra só: se sobrevivessem, voltavam para a sua antiga vida.

Hoje, a idéia é criar soldados profissionais, que não hesitem quando chega a hora de puxar o gatilho. Usando as técnicas mais eficientes de condicionamento psicológico e controle mental (se quiser falar mal, pode chamar de "lavagem cerebral"), o treinamento militar pega uma pessoa que nem você, que só conhece tiro da televisão e tem nojo de imaginar que o bife já foi vaca, em uma máquina de matar - e dane-se se a máquina pifar depois. James Blake Miller, o Marlboro Marine da abertura do texto, fez curso de pastor evangélico por correspondência e até cogitou ser mineiro de carvão antes de se alistar. Dois anos depois ele estava em Faluja, mandando tanque derrubar prédio com 40 pessoas dentro e fumando um cigarrinho logo depois. "Uma coisa é quando estão atirando em sua direção e você dá alguns tiros de volta para silenciar o outro lado. Outra coisa, completamente diferente, é quando você olha para um outro ser humano. E ele sabe que você está tentando matá-lo. Para fazer o seu trabalho em combate, você tem que ser capaz de trancar todas as suas emoções", diz ele no livro de Meagher.

Antes de serem lapidados como instrumentos letais de guerra, os recrutas têm que superar o que o autor Dave Grossman chama de "fobia humana universal": a aversão que a maioria das pessoas tem de tirar a vida das outras, ausente em apenas 2% dos os indivíduos dentro das Forças Armadas. Em seu livro, On Killing: The Psychological Cost of Learning to Kill in War and Society ("Sobre Matar: O Custo Psicológico de Aprender a Matar na Guerra e na Sociedade"), Grossman explica que "no interior da maioria das pessoas existe uma intensa resistência na hora de tirar a vida de um outro ser humano. É algo tão forte que alguns soldados morrem em combate por não conseguir superá-lo".

O Exército dos EUA usa um sistema, chamado de Controle Total, que gera 20 mil soldados por ano - nenhuma outra instituição militar na história treinou tantos homens para matar em tão pouco tempo. Graças ao programa, o número de soldados que falham na hora de rsponder ao fogo inimigo caiu de 70% para praticamente zero. O programa que cria os combatentes perfeitos, no entanto, é ineficaz na hora de evitar que eles tenham danos psicológicos resultantes da tarefa em que são tão bons. "As pessoas comentam: ‘Não sei como você conseguiu fazer aquilo’. E olham para você imaginando como você deve ter mudado, imaginando se você perdeu todo o dilema moral associado a tirar a vida de outra pessoa", escreveu John Crawford, veterano do Iraque, no livro The Last True Story I’ll Ever Tell ("A Última História Verdadeira Que Eu Contarei").

Cessar-fogo

Hoje, os soldados que voltam para casa encontram uma América com um clima muito diferente daquele que os veteranos do Vietnã encontravam mais de 40 anos atrás. Apesar de a maioria da população reprovar a invasão do Iraque, os freedom fighters ("guerreiros da liberdade") são tratados como heróis, diferentemente dos engravatados que os mandaram para lá.

Além disso, existem aproximadamente 250 ongs que lhes oferecem serviços de qualificação profissional, emprego e aconselhamento. Mas, apesar disso, a economia soluçante não está preparada para absorver a quantidade de gente que retornará para casa nos próximos anos. Milhares de ex-combatentes desempregados são um baita problema econômico, mas também psicológico. Sentir-se rejeitado pela sociedade pode desencadear a depressão, a raiva, o medo, o sentimento de culpa e os vícios que juntos compõem o quadro de transtorno de estresse pós-traumático.

Ainda por cima, o Department of Veteran Affairs (conhecido como VA, órgão federal responsável pelos veteranos) e organizações privadas já estão no limite de capacidade, ainda atendendo soldados de conflitos anteriores, como a Guerra do Golfo (de 1991, aquela em que o Bush pai varreu Saddam do Kuwait).

Segundo dados da Coalizão Nacional dos Veteranos Sem-Teto dos EUA, 1 em cada 6 dos 3 milhões de mendigos americanos são veteranos de guerra. Desse grande exército de 500 mil, apenas 20% são atendidos pelo VA.

O Marlboro Marine é quase um deles. Quatro anos depois da foto que o deixou famoso, James Blake Miller está divorciado do seu amor de colégio e morando em um trailer nos fundos da casa do seu pai, em uma cidadezinha do Kentucky. Ele sempre quis ser policial, sonho que o diagnóstico de TEPT tornou impossível. Aceitou um emprego em uma oficina mecânica de motos e, por conta disso, acabou entrando para uma gangue local de motoqueiros arruaceiros que vive arranjando confusão com a polícia.

A princípio um defensor da Guerra do Iraque, Miller acabou renegando o conflito. "O que ganhamos como país? O que realmente conquistamos além da perda de um monte de gente boa?", perguntou ele ao seu descobridor, Luis Sinco, em uma reportagem do Los Angeles Times. Talvez um dia os historiadores cheguem a um consenso sobre essas questões. Mas os traumas dos veteranos só serão superados se cada um deles encontrar suas próprias respostas.



Pós-guerra

As conseqüências da guerra permanecem na mente muito tempo depois do último tiro. Conheça os sintomas do estresse pós-traumático
Eternamente no front
O sujeito segue pensando na guerra da qual voltou, querendo ajudar os companheiros e matar inimigos.
Vícios diversos
Qualquer coisa (álcool, maconha, cocaína, remédios) que ajude a esquecer as experiências ruins.
Paranóia
Em inglês, a expressão é jumpiness, a sensação de ficar alerta o tempo todo.
Flashbacks
As memórias do combate são tão vivas que parecem reais, a ponto de ex-combatente às vezes não saberem diferenciar lembranças de realidade.
Rejeição
Muitos veteranos se sentem traídos por Deus e pela sociedade, se revoltam com o seu destino, acham que o mundo lhe deu as costas. Às vezes, é verdade.
Isolamento
Aversão ao contato social, falta de ânimo para interagir com outras pessoas.
Culpa por sobreviver
O soldado convive com os companheiros 24 horas por dia, morre e mata por eles e conta com a mesma consideração. A morte de um desses "irmãos" faz martelar a pergunta: "por que não eu?"
Suicídio
A soma de todos esses fatores pode levar a essa atitude extrema.

Um problema, vários nomes

O estresse pós-traumático existe desde que a guerra é guerra: Heródoto, o historiador grego, conta a história de um guerreiro ateniense que ficou cego na Batalha de Maratona (490 a.C.), apesar de "não ter sido atingido em nenhuma parte do corpo". Acompanhar a seqüência de diferentes nomes para o mesmo problema mostra como cada época encarou seus conflitos armados e psicológicos.
Nostalgia
Conflito: Guerras Napoleônicas, Guerra Civil Americana (século 19).
Origem: Acreditava-se que os veteranos só tinham problemas porque estavam com saudade do campo de batalha. Nada que um novo combate não resolvesse.
Neuroses de guerra
Conflito: 1ª Guerra Mundial (1914-1918).
Origem: De sumo interesse de Freud e seus discípulos, relacionava o trauma de guerra com outros pré-existentes.
Cansaço de Batalha
Conflito: 2ªGuerra Mundial (1939-1945) e Guerra da Coréia (1951-1953).
Origem: como o próprio nome indica, a crença geral era de que o sujeito só precisava de um descanso.
Síndrome pós-vietnã
Conflito: Guerra do Vietnã (1959-1975).
Origem: A intenção era colocar os sintomas terríveis como conseqüências de um único conflito, com características particulares, uma espécie de anomalia estatística.
Estresse Pós-Traumático
Conflito: Guerra do Golfo (1991).
Origem: Popularizado nos anos 80, é nome mais usado atualmente, tratando o trauma como um grave problema psicológico.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

As Mulheres Nazistas Assassinas da História






                                                 
As mulheres nazistas eram geralmente de classe média baixa e não tinham experiência de trabalho. Voluntários eram recrutados para por anúncios em jornais alemães, que pediam às mulheres para mostrar o seu amor pelo Reich e se juntar ao SS-Gefolge.

Elas mantinham títulos posicionais semelhantes aos nazistas do sexo masculino. Os papéis eram específicos, conforme as ordens de Hitler. Outras mulheres apoiavam os seus maridos que eram comandantes e ministros em suas políticas anti-semitas. Aqui está uma lista de 10 terríveis mulheres nazistas.


07- Maria Mandel




Maria Mandel (10 de janeiro de 1912, Münzkirchen – 24 de janeiro de 1948, Cracóvia) foi uma notória guarda feminina de alta patente da SS nazista, servindo nos do campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, responsável direta pela morte de cerca de 500.000 mulheres judias, ciganas e prisioneiras políticas.

Nascida na Áustria, começou a carreira de guarda de prisão em Lichtenburg, um dos primeiros campos alemães na Saxônia, em 1938, junto a outras cinqüenta mulheres. Em 1939, junto com outros guardas e prisioneiros, foi transferida para o recém-construído campo de Ravensbrück, próximo a Berlim. Seu trabalho rapidamente impressionou seus superiores, que a promoveram a SS-Oberaufseherin (Supervisora Senior) em julho de 1942.

Em Ravensbrück, ela supervisionava as chamadas diárias de prisioneiros, as tarefas dos guardas comuns e prescrevia punições como chicotadas e espancamentos. Em 7 de outubro de 1942, Mandel foi transferida para o campo de Auschwitz, na Polônia, onde foi promovida a SS-Lagerführerin (Líder de Campo), um cargo de comando abaixo apenas do próprio comandante do
campo, Rudolf Höß.

Lá ela controlou diretamente todos os campos e sub-campos femininos de Auschwitz e seu poder sobre as prisioneiras e suas subordinadas era absoluto. Maria teve simpatia por outra notória guarda feminina SS, Irma Grese, a quem promoveu a chefe do campo de judias húngaras em Auschwitz-Birkenau, anexo do complexo de extermínio de Auschwitz.

A besta de Auschwitz

De acordo com testemunhas, uma de suas crueldades preferidas era se colocar em frente ao portão de entrada de Birkenau, esperando para ver se algum prisioneiro se virava para olhá-la; quem o fizesse, era sumariamente executado.

Em Auschwitz, era conhecida como A Besta e pelos próximos dois anos se encarregou de selecionar prisioneiros para as câmaras de gás e outras atrocidades. Freqüentemente escolhia alguns prisioneiros para lhe servirem de mascotes, animais de estimação, mantendo-os fora das câmaras até se cansar
deles e os enviar para a morte.

Também foi testemunhado sobre ela, seu especial prazer em selecionar as crianças que deveriam ser executadas; foi ela quem criou a famosa orquestra de Auschwitz, formadas por prisioneiros, que acompanhava as chamadas diárias, execuções, seleções e transportes; assinou ordens enviando um número estimado de 500 mil mulheres e crianças para as câmaras dos campos de Auschwitz I e II.

Em novembro de 1944, Maria Mandel foi enviada para o sub-campo de Mühldorf, no complexo de Dachau, onde ficou até maio de 1945, quando deixou o campo à aproximação dos Aliados e fugiu pelas montanhas do sul da Baviera para sua cidade natal de Münzkirchen, na Áustria.


Julgamento


Ela foi presa em sua terra natal em 10 de agosto de 1945 pelos norte-americanos e após diversos interrogatórios, onde ficou constatado a sua inteligência e dedicação ao trabalho nos campos, foi devolvida à Polônia. Em novembro de 1947, após passar dois anos em custódia dos Aliados, foi julgada por crimes contra a humanidade numa corte de Cracóvia e sentenciada à morte. Foi enforcada em 24 de janeiro de 1948, aos 36 anos de idade.

06- Herta Oberheuser




Herta Oberheuser (15 de Maio de 1911, Colónia, Alemanha - 24 de Janeiro de 1978, Linz am Rhein, Alemanha) foi médica no campo de concentração de Ravensbrück, de 1940 até 1943.

Experiências Médicas

Ela trabalhou em Ravensbrück sob a supervisão do Dr. Karl Gebhardt, participando em experiências médicas (sulfanilamidas, regeneração de nervos e enxertos ósseos), realizado em 86 mulheres, 74 das quais eram prisioneiras políticas no campo. Oberheuser matou crianças saudáveis ​​com injeções de óleo e evipan, em seguida, retirava os seus membros e os órgãos vitais.

O tempo entre a injeção e a morte era entre três e cinco minutos, com a criança totalmente consciente até o último momento. Ela executou algumas das mais terríveis e dolorosas experiências médicas, com foco nas feridas deliberadamente infligidas. Para simular as feridas de combate dos soldados alemães que lutavam na guerra, Herta Oberheuser introduzia objetos estranhos, tais como farpas madeira, pregos enferrujados, lascas de vidro, sujeira, ou serragem nas feridas.

Julgamento de Nuremberg:


HertaOberheuser foi o única réu do sexo feminino no Julgamento dos Médicos de Nuremberg, onde foi condenada a 20 anos de prisão. Ela foi libertada em abril de 1952 por bom comportamento e tornou-se uma médica de família em Stocksee, Alemanha. Perdeu a sua posição em 1956, quando uma sobrevivente de Ravensbrück a reconheceu, e sua licença para praticar medicina, foi revogada em 1958.5- Irma Ida Ilse Grese


Irma Ida Ilse Grese (Wrechen, 7 de outubro de 1923 — Hameln, 13 de dezembro de 1945) foi uma supervisora de prisioneiros nos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau, Bergen-Belsen e Ravensbruck, durante a Segunda Guerra Mundial. Apelidada de "A Cadela de Belsen" pelos prisioneiros deste campo por seu comportamento sádico e perverso, foi uma das mais cruéis e notórias criminosas de guerra nazistas, executada na forca pelos Aliados ao fim do conflito.

Filha de um leiteiro filiado ao Partido dos Trabalhadores Alemães Nacional-Socialistas e de uma mãe suicida, Irma deixou a escola aos quinze anos de idade, devido ao pouco empenho aos estudos e a seus interesses fanáticos em participar da Bund Deutscher Mädel (Liga da Juventude Feminina Alemã), que seu pai não aprovava. Entre outras atividades, trabalhou dois anos num sanatório da SS e tentou, sem sucesso, se formar como enfermeira.

Em 1942, com 18 anos, se apresentou como voluntária para treinamento no campo de Ravensbruck, o que fez com que fosse expulsa de casa pelo pai, contrário a este trabalho. Entre 1943 e 1945, ela atuou em Auschwitz, Ravensbruck e Bergen-Belsen, três campos nazistas de extermínio, sendo presa em 15 de abril de 1945 pelos britânicos no último deles, junto a outros integrantes da SS.

Irma foi um dos principais réus no julgamento de criminosos de guerra de Belsen, realizado entre setembro e dezembro de 1945. Sobreviventes dos campos testemunharam contra ela, acusando-a de assassinatos e torturas. Sempre usando pesadas botas, chicote e um coldre com pistola, entre outros atos, Irma era conhecida por jogar cachorros em cima dos presos para devorá-los, assassinar internos a tiro a sangue-frio, torturas em crianças e surras sádicas com chicote até à morte. Em seu alojamento após a captura no campo, foram encontrados abajures com as cúpulas feitas de pele humana, de três prisioneiros judeus assassinados e escalpelados por ela.

Julgamento


Condenada à forca - aos 22 anos a mais jovem condenada à morte sob leis britânicas no século XX - foi executada na prisão de Hameln, Alemanha, em 13 de dezembro de 1945 e suas últimas palavras ao carrasco foram: "Schnell!" (Rápido!).





4- Ilse Koch




começar a se interessar pela nascente ideologia nazista, o que a fez começar a ter relações ( inclusive íntimas) com integrantes locais das SA.

Em 1936, começou a trabalhar como guarda e secretária no camIlse Koch (Dresden, 22 de setembro de 1906 - Aichach, 1 de setembro de 1967) foi a esposa de Karl Otto Koch (1897–1945), comandante dos campos de extermínio de Buchenwald (1937-1941) e Majdanek (1941-1943).

Biografia

Ilse tornou-se sinistramente famosa por colecionar como sourvenires pedaços de peles tatuadas de prisioneiros dos campos. Histórias de sobreviventes contam que ela tinha cúpulas de abajures feitos de pele humana em seu quarto e era conhecida pelo apelido de 'A Cadela de Buchenwald', pelo caráter perverso e crueldade sádica com que tratava os prisioneiros deste campo.

Nascida em Dresden, na Alemanha, uma cidade-mártir da Segunda Guerra Mundial, e filha de um fazendeiro, ela era conhecida como uma criança educada e alegre no ensino primário. Aos 15 anos deixou a escola para trabalhar numa fábrica e depois numa livraria. Na época, a economia alemã ainda não tinha se recuperado da derrota da I Guerra Mundial e seu trabalho na livraria a fezno campo
 
de concentração de Sachsenhausen perto de Berlim, onde veio a conhecer o comandante Karl Koch, com quem se casaria. Em 1937, chegava a Buchenwald, não como guarda, mas como esposa do comandante. Influenciada por ele e por seu poder, Ilse começou a torturar e humilhar prisioneiros. Em 1940, construiu uma arena de esportes fechada, com o dinheiro de prisioneiros e seus parentes e no ano seguinte se tornaria supervisora senior da pequena guarda feminina que servia em Buchenwald.

Em 1941, Karl-Otto Koch foi transferida para o comando de Majdanek, onde serviria por dois anos. Em 1943, entretanto, eles foram presos pela Gestapo, acusados de desvio de dinheiro e de bens judeus coletados no campo, que por lei era propriedade do Reich. Ilse ficou presa até o começo de 1945 quando foi inocentada e solta, mas seu marido foi condenado à morte e executado em abril do mesmo ano. Ela então foi viver com os membros sobreviventes de sua família na cidade de Ludwigsburg onde foi presa pelos norte-americanos em 30 de junho de 1945.


Julgamento


Julgada por crimes de guerra, em 1947, e condenada à prisão perpétua, foi libertada após cumprir quatro anos sob a alegação de seus advogados que as evidências conseguidas não eram conclusivas.

Assim que foi libertada pelos norte-americanos, foi novamente presa desta vez pelos alemães e colocada novamente frente a uma corte de justiça, devido ao grande número de protestos pela decisão de soltura, sendo novamente condenada à prisão perpétua.

Ilse Koch cometeu suicídio se enforcando na prisão feminina de Aichach após escrever uma última carta a seu filho, em 1 de setembro de 1967 aos 60 anos de idade.

3- Juana Bormann




com os quais já tinha seJuana Bormann (ou Johanna Bormann) (1903 –13 de dezembro de 1945, Hameln) foi uma guarda feminina de diversos campos de concentração nazistas durante a II Guerra Mundial, julgada e condenada como criminosa de guerra e executada em dezembro de 1945.

Juana começou a carreira de guarda no campo de Lichtenburg em 1938, como SS auxiliar ao lado de outras 49 mulheres, segundo ela, para “poder ganhar mais dinheiro”. Em 1939 foi selecionada pra supervisionar uma equipe de trabalho no novo campo de Ravensbruck, perto de Berlim e após três anos foi uma das poucas selecionadas para o serviço de guarda feminina em Auschwitz, na Polônia, em 1942.

De estatura baixa e muita crueldade, chamada pelos prisioneiros de “a mulher com os cachorros”, foi para Auschwitz como Aufseherin (auxiliar feminina) e suas supervisoras incluíam duas notórias integrantes da guarda feminina SS de campos de concentração, Maria Mandel e Irma Grese.

Em 1944, com o acúmulo de derrotas da Alemanha nazista e a invasão soviética no leste, Bormann – sem parentesco com o líder nazista Martin Bormann - foi transferida para um campo auxiliar na Silésia. Em janeiro de 1945 retornava a Ravensbruck e em março chegava a seu último posto, Bergen-Belsen, onde trabalhou sob as ordens de Josef Kramer, Irma Grese e Elisabeth Volkenrath,
 servido em Auschwitz.

Em 15 de abril de 1945 o exército britânico chegou ao campo, encontrando 10.000 cadáveres insepultos e 60.000 sobreviventes esqueléticos à beira da morte; os libertadores obrigaram todo o pessoal da SS a enterrar os corpos.


Julgamento


Juana foi presa, interrogada pelos militares e processada no Julgamento de Belsen, realizados entre setembro e dezembro de 1945. Diversos sobreviventes testemunharam sobre os crimes cometidos por ela em Auschwitz e Belsen, algumas vezes soltando seu grande cão pastor alemão em cima de prisioneiros indefesos.

Foi considerada culpada de crimes contra a humanidade e enforcada (junto com Grese e Volkenrath ) em 13 de dezembro de 1946, na prisão de Hameln.
Seu carrasco escreveu tempos depois: “ela andou vacilante pelo corredor parecendo velha e encovada aos 42 anos de idade; estava trêmula, foi colocada no local do enforcamento e disse apenas: “Eu sinto””.


Ruth Closius-Neudeck (05 de julho de 1920 - 29 julho de 1948) foi uma supervisora SS em um complexo campo de extermínio de dezembro de 1944 até março de 1945.Ruth Closius nasceu em Breslau, Alemanha (agora Wrocław, Polônia ). Mais tarde, ela se casou e era conhecida como Ruth Neudeck.

Campo de trabalho

Em julho de 1944, ela chegou ao campo de concentração de Ravensbrück para começar seu treinamento para ser uma guarda de campo. Neudeck logo começou a impressionar seus superiores com a sua brutalidade inflexível para com as mulheres presas, por isso ela foi promovida ao posto de Blockführerin (Overseer Barrack) no final de julho de 1944.

No campo de Ravensbrück, ela era conhecida como uma das piores guardas femininas. O ex-prisioneiro francês Geneviève de Gaulle-Anthonioz comentou depois da guerra que tinha visto Neudeck "cortar a garganta de um recluso com a ponta afiada da sua pá". Em dezembro de 1944, ela foi promovida ao posto de Oberaufseherin e mudou-se para o complexo de extermínio Uckermark . Lá, ela se envolveu na seleção e execução de mais de 5.000 mulheres e crianças. Em março de 1945, Neudeck tornou-se chefe do subcamp Barth.

Julgamento



No final de abril de 1945, ela fugiu do acampamento, foi mais tarde capturada e colocado na prisão, enquanto o exército britânico investigou seus crimes. Em abril de 1948, ela foi acusada no terceiro Julgamento Ravensbrück , junto com outras mulheres SS. Aos 28 anos de idade a ex-supervisora SS confessou todas as acusações de assassinatos e maus-tratos em seu depoimento.
O tribunal britânico culpou-a de crimes de guerra. Ela foi executada por enforcamento em 29 de julho de 1948, com a idade de 28 anos.


1- Vera Salvequart




Vera Salvequart (26 de novembro de 1919 - 26 junho de 1947) foi uma enfermeira no campo de concentração de Ravensbrück entre 1944 e 1945. Nascida na Checoslováquia em 1919, ela se mudou para a Alemanha algum tempo depois. Ela foi presa pela primeira vez em 1941 por ter um relacionamento com um judeu e por se recusar a divulgar o seu paradeiro à Gestapo .

Ela ficou por 10 meses em uma prisão em um campo de concentração. Depois que foi solta, foi novamente presa em 1942, por causa de um outro relacionamento com um judeu e ficou mais dois anos na prisão. Em 06 de dezembro de 1944, ela foi presa novamente sob a acusação de ajudar os cinco policiais detidos a escapar e foi então enviada para Ravensbrück, que havia se tornado um campo de extermínio para presos do sexo feminino nesse ponto da guerra.

Devido a uma escassez de pessoal da SS, freqüentemente eram usados prisioneiros alemães para supervisionar outros presos, e Vera estava entre os escolhidos para servir, provavelmente devido à sua formação pré-guerra como enfermeira. Ela serviu na ala médica do campo como enfermeira durante a sua estadia, e supervisionou a morte por gás de milhares de mulheres. O trabalho de Vera era preencher certificados de óbito e inspecionar os cadáveres que
possuiam dentes de ouro, que eram mantidos para financiar o gasto com a guerra. Em fevereiro de 1945, ela teria assumido um papel mais ativo na matança. Ela começou a envenenar os doentes na ala médica para evitar o esforço de ter que transportá-los para a câmara de gás .Apesar de ex-prisioneiros testemunharem sobre esta crueldade, Vera só confessou durante o julgamento que era culpada de preencher certificados de óbito.

Depois de ser libertada pela União Soviética em abril de 1945, Vera foi capturada, assim como os outros que tinham servido lá e detidos para julgamentos militares apelidado de Ravensbrück Trials .
Em sua própria defesa, ela alegou que agiu de uma forma benevolente para com os prisioneiros e descreveu como ela salvou algumas mulheres e crianças da morte, substituindo o seu número de identificação do campo com daqueles que já estavam mortos.

Ela alegou ter mantido um bebê escondido e prisioneiros traziam comida e leite para ele. Como suspeita de traição, a SS ameaçou mandá-la para a câmara de gás. Foi quando vários prisioneiros que a apoiavam na ajuda que ela dava, a disfarçaram como uma prisioneira do sexo masculino; um disfarce que ela manteve até o fim da guerra em que vários prisioneiros foram libertados.

Execução

Salvequart fez um apelo de clemência com base na acusação de participar de um esquema para roubar um foguete V2 que estava sendo produzido no campo antes de 1944 e esperava o momento certo para passar o esquema para os britânicos. Foi concedida uma prorrogação temporária, que foi levada em consideração, mas em 26 de junho 1947 ela foi enforcada (com 27 anos) por seu papel no funcionamento do campo, e seu corpo foi sepultado com os outros corpos executados em Wehl Cemetery em Hameln.
fonte: http://natrilhadocastelo.blogspot.com.br/2011/11/7-terriveis-mulheres-nazistas-da.html
                                           
 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Base Aérea de Natal - Parnamirim Field



 
Em 2 de março de 1942, é criada a Base Aérea de Natal (BANT), através do Decreto Lei nº 4.142 assinado pelo ministro da aeronáutica, Salgado Filho, durante o governo de Getúlio Vargas. Para a população, simplesmente a “Base”.

A construção foi financiada pelo governo dos Estados Unidos da América, e fez parte do engajamento do Brasil no esforço de guerra dos Aliados contra o Eixo, no maior conflito armado que a humanidade já viu conhecida como Segunda Grande Guerra. Em uma área com mais de 9 milhões de metros quadrados, foram construídas novas pistas asfaltadas onde poderiam operar aviões bombardeiros de porte médio, além de pistas secundárias de rolagem, áreas de estacionamento e hangares, assim como todo o equipamento necessário no auxilio a navegação aérea, comunicação e operações.

Parnamirim Field possuía instalações onde poderiam alojar-se 1.800 oficiais e mais de 2.700 praças, necessários ao andamento das operações. Era a parte leste da Base, ocupada pelos americanos, enquanto a oeste ficava a cargo da FAB. A partir daí, o “Trampolim da vitória” estava montado. Uma verdadeira ponte aérea foi criada entre a Base e a África, abastecendo as tropas que lá lutavam contra o nazi-facismo.


Uma nova estrada foi aberta e pavimentada, em apenas seis semanas, ligando o porto de Natal a Base, para agilizar o transporte de cargas. A conta de todo o projeto foi paga pelo governo dos Estados Unidos. Seis mil trabalhadores se revezaram dia e noite, a um custo 9,5 milhões de dólares, para concluir os trabalhos.


Mas antes mesmo da formalização do acordo entre Brasil e Estados Unidos, e da declaração de guerra do governo brasileiro ao eixo (Alemanha, Itália e Japão), em junho de 1941 alguns bombardeiros da US Air Force disfarçados de cargueiros já passaram pela Base, com destino a África.

No auge de sua ocupação e funcionamento, teve pousos e decolagens a cada minuto, e aproximadamente 15 mil pessoas transitando, entre civis e militares, além de possuir estrutura completa de uma cidade com bares, teatro, cinema, mercado e igrejas. Essa movimentação toda, e a nova cultura que trazem esses norte-americanos com sua música, língua, festas, alimentos e dólares vai transformar em demasia o cotidiano da até então, pacata capital.


Ainda hoje há, na Base, prédios construídos pelos norte-americanos na segunda guerra mundial em perfeito estado de conservação, contrastando com a modernidade dos atuais caças que ocupam os também modernos hangares.
 
fontes:http://1000tao.blogspot.com.br/2012/03/base-aerea-de-natal-parnamirim-field.html

 

 

 
 
 
 
 
 
Ainda hoje há, na Base, prédios construídos pelos norte-americanos na segunda guerra mundial em perfeito estado de conservação, contrastando com a modernidade dos atuais caças que ocupam os também modernos hangares.
fontes:http://1000tao.blogspot.com.br/2012/03/base-aerea-de-natal-parnamirim-field.html


 

 

Pin-Up! Divas de Papel



Primeiras imagens surgiram em 1890
As primeiras artes de mulheres famosas desenhadas em poses insinuantes surgiram em 1890 e já causavam grande choque na época, mas o termo Pin Up surgiria apenas em 1941, na Inglaterra, com a Segunda Guerra Mundial.
 


O Significado

A tradução livre para Pin Up é “pendurado”. Sim, divas de papel que ficavam penduradas para apreciação dos homens em diversos locais, como oficinas mecânicas, armários, paredes, murais de fotos, painéis de carro, geladeiras, etc.
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Musas dos soldados durante a guerra

Sucesso durante a Segunda Grande Guerra

As pin-ups se destacaram mesmo durante a Segunda Guerra Mundial através da revista americana Esquire. A revista era distribuída para os soldados americanos durante a guerra e grande parte do conteúdo era reservada às musas pin-ups, elevando-as à patente de “Deusas da Guerra”. Daí surgiriam piu-ups usando uniformes da marinha, exército e com bandeiras estreladas.
As pin-ups viraram febre na guerra. Elas estavam em todos os lugares, nos maços de cigarro, nos bolsos, armários e tatuagens dos soldados e alcançaram o ponto mais alto quando ganharam destaque nas fuselagens dos aviões de guerra.
 

A moda em Natal na Segunda Guerra

 
Um panorama de como era a moda em Natal durante a Segunda Guerra quando a capital potiguar foi invadida por quase 20 mil americanos. O texto abaixo foi originalmente publicado na revista Glam. As fotos que ilustram o artigo são do arquivo de Minervino Wanderley. Segue na íntegra:
Natal, rua Ulisses caldas, um dia qualquer do ano de 1943. Um grupo de soldados americanos visitam uma loja à procura de um item raro e valiosíssimo no período. Eles não são os primeiros. A fama da loja atravessou o oceano e, antes mesmo de chegarem a Natal, eles já sabem que precisarão visitar o lugar.
A loja é a Casa Rio – que anos depois deu origem às lojas Rio Center, que existem até hoje na cidade. Os jovens americanos, como sempre, vestem seus uniformes cáqui e chamam atenção por onde passam. O que eles procuram de tão valioso? Meia-calça de seda!
Um par delas vale a felicidade de uma noiva, uma irmã, uma mãe, e a gratidão eterna dessas figuras femininas quando ele voltar para casa.
A cena repetiu-se durante todos os anos em que os americanos estiveram por aqui.
Quem conta é dona Guiomar Araújo, viúva de Alcides Araújo, que administrava a loja junto com o pai.
 
“Os americanos ficavam doidos quando viam que a gente vendia meia-calça. Eles diziam que não tinha mais meia-calça no mundo por causa da guerra. Compravam muito, pagavam em dólar. Eu e Alcides tivemos que pedir muito mais peças para o fornecedor em São Paulo. Era um pedido tão grande que o fornecedor achou que a gente estava de brincadeira, e ligou muito pra mim muito chateado. Eu disse ‘mande as meias que eu pago adiantado’! Enquanto os americanos estiveram por aqui, vendi mais meia-calça que na minha vida toda, eu acho” relembra ela, com uma memória irretocável para os seus 90 anos.
A história contada por dona Guiomar nos diz muito sobre a realidade de Natal no período da Segunda Guerra, principalmente sobre a moda e sua ligação com os hábitos e costumes da população – que é o que interessa a este artigo. Mas para entender o que acontecia, precisamos primeiramente entender como a Segunda Guerra Mundial modificou a moda no mundo.
 
A guerra e o mundo
No início dos anos 40, Paris ainda dominava a geografia da moda. Podia-se dizer que a capital francesa era o centro do mundo no mapa da alta costura. E foi a partir de Paris que vieram as mudanças drásticas, impostas pela Ocupação, que transformou o visual das mulheres da década de 40.
 
A estética do glamour dos anos 30 foi declarada decadente pela política nazista alemã. No livro ‘A moda do século’, François Baudot registrou:
“A parisiense emagrece, suas roupas ficam mais pesadas e as solas de sapatos também. (…) assim, a partir de 1940 está proibido mais de que quatro metros de tecido para um mantô e um metro para chemisier (exceção feita apenas para as grávidas). Nenhum cinto de couro deve ter mais de quatro centímetros de largura.”
 
Durante toda a década, a estética será dominada pelo racionamento de roupas, a economia de botões e outros aviamentos e a reciclagem de peças antigas – teria surgido aí a customização?
Além disso, as mulheres sofrem com o sumiço da meia-calça. Todo o naylon e a seda produzidos na Europa eram aproveitados na fabricação de pára-quedas, e as – antes elegantíssimas – parisienses agora tem que se contentar com o uso de meias soquetes.
 
Com o tempo, as meias curtas passam a ser utilizadas até mesmo com vestidos de festas. Outra alternativa é maquiar as pernas e desenhar um traço fino na parte de trás, lembrando a costura da meia-calça. Essa é uma imagem icônica do período.



É famosa – e curiosa – também a história contada no livro ‘Moda & Guerra: Um retrato da França ocupada’ , de um soldado que, ao fim da guerra, levou o pára-quedas na mala para fazer o vestido de noiva da namorada.


E assim as pessoas sobreviviam nos duros anos 40.
O tailleur com ares de uniforme militar, de ombros largos e saia reta, é o modelo mais usado no período.
 
O único elemento do visual feminino que não sofreu racionamento foram os chapéus. Isso fez com que a moda subisse – literalmente – à cabeça das mulheres, e se a roupa e os sapatos eram bem modestos, os chapéus e turbantes eram verdadeiras esculturas. Serviam para dar um ar mais arrumado ao visual, mas também para esconder cabelos mal cuidados e mal cortados, carentes de um salão de beleza.
 
O lenço na cabeça, usado pelas moças que foram trabalhar nas fábricas, logo foi incorporado ao visual feminino em todas as camadas da sociedade. Da operária à mulher do oficial – a única que ainda tinha algum dinheiro para comprar roupas novas.
 
Foi com o dinheiro das mulheres dos oficiais nazistas que a alta costura conseguiu sobreviver, mesmo que em coma, nesse período.
Os historiadores são categóricos em afirmar que, caso a alta costura tivesse parado de produzir por completo durante os anos de guerra, a França haveria perdido para sempre o lugar que ocupa no mapa da moda, o que mudaria completamente o panorama da moda atual.
 
A guerra e Natal
Se à época da guerra Paris era um grande parque de diversões que foi fechado por falta de energia, Natal não passava de uma pequena vila que começava na Ribeira e terminava no Tirol. É difícil para as novas gerações imaginar essa antiga ordem da cidade, onde Ponta Negra era uma distante praia de veraneio.
 
Com os americanos veio também uma revolução significativa nos costumes da cidade. A professora e pesquisadora Josimey Costa registrou no documentário ‘Imagem sobre imagem – a Segunda Guerra em Natal’ depoimentos que remontam a influência que a guerra e a chegada dos americanos tiveram sobre Natal.
 
E o que mais chamou atenção da pesquisadora foi que a guerra era excitante para os moradores da então pacata capital potiguar. “Quando comecei a pesquisa eu tinha a ideia de que foi um período de tensão, que as pessoas viviam oprimidas, com medo da guerra chegar aqui. Mas o que percebi é que as pessoas vivem apesar disso e encontram – mesmo nos períodos mais trágicos – momentos de alegria”.
Os momentos de alegria trazidos pela guerra eram os bailes, a bebida, os chicletes, a música e os belos e jovens soldados de cabelos loiros e olhos azuis – biotipo totalmente diferente dos potiguares. Um dos entrevistados de Josimey no documentário, Alvamar Furtado, fez uma comparação interessante:
“Natal foi invadida por uma multidão de príncipes encantados”.
E quem tem tempo para ficar oprimido com tanta novidade na cidade?
Talvez só mesmo os rapazes natalenses, que perdiam feio para os americanos na hora da paquera. Os nativos eram formais, usavam terno e chapéu de palhinha. Já os estrangeiros, quando não estavam de uniforme, usavam camisas coloridas por fora da calça – sem “ensacar” como dizemos por aqui – e as mulheres achavam isso um charme.
 
Dona Guiomar lembra que os soldados também iam à Casa Rio comprar Chanel Nº 5, outro item escasso que fazia sucesso durante a guerra. E que isso deu margem para um golpe que ficou famoso na época: “tinha gente em Natal querendo dar uma de esperto. Eles pegavam vidros de Chanel Nº 5 e dividiam em vários frascos. Completavam com outro perfume barato e vendiam para os americanos. Eles eram loucos por esse perfume, e compravam muito. Muitos caiam no golpe”, conta.
Também foram os americanos que trouxeram os calções curtos de helanca para os banhos de mar em Ponta Negra e Areia Preta. Antes disso, os rapazes natalenses usavam calções compridos na praia.
As moças passaram a querer usar maiô aberto nas costas, como as atrizes de Hollywood e as pin-ups dos calendários.
 
Mas por aqui a vigilância dos pais ainda era severa, e as mães geralmente cobriam as costas do maiô com uma peça de croché.
Foi a época também em que as mulheres começaram a usar calças compridas à la Marlene Dietrich. Só as solteiras usavam, não ficava bem para uma mãe de família andar de calças por aí.
E as moças que usavam eram “mal faladas”.
Os cabelos eram cacheados com bobs, as moças perdiam horas ondulandos os fios. Apesar do racionamento de tecidos no resto do mundo ter feito as saias minguarem, por aqui elas ainda eram rodadas. Ideais para balançar e rodopiar nos bailes do América.
Há estudos que defendem que nem tudo foram flores nesse período. Os preços por exemplo subiram vertiginosamente. Havia muito dólar circulando, e o comércio cobrava como se todos tivessem o mesmo rendimento dos americanos, quando na realidade a cidade era, de uma forma geral, muito pobre.
Mesmo assim, a maioria das pessoas que viveu aquela época a lembra com saudosismo, como uma época de ouro da cidade.
Talvez porque, em termos de moda e estética, Natal era uma bolha de glamour num mundo castigado pelo racionamento. Não faltava meia-calça nem Chanel Nº 5, mesmo que a maioria da população não tivesse o hábito de usar nem um nem outro.
 
fonte:http://www.ailtonmedeiros.com.br/a-moda-em-natal-na-segunda-guerra/2012/10/30/

A batalha de Moscou enterrou a ideia de Blitzkrieg


 
Batalha de Moscou, Grande Guerra patriotica, hitler
 
No dia 5 de dezembro comemora-se na Rússia o Dia da Glória Militar. Há 71 anos, no início do inverno de 1941, começou a contra-ofensiva das tropas soviéticas nos arredores de Moscou. Desse modo a tentativa de Blitzkrieg fracassou e o mito da invencibilidade do exército hitlerista foi destruído.

Hitler esperava ocupar Moscou dois, três meses depois do ataque à União Soviética. Depois dos primeiros êxitos do exército alemão, ele exigiu do comando “tomar Moscou em 15 de agosto e terminar a guerra com a URSS em 1º de outubro”. Entretanto, tendo recuperado do golpe traiçoeiro, as tropas soviéticas passaram a ações mais ativas contra o inimigo. As encarniçadas batalhas por Smolensk, Leningrado, Kiev, atrapalharam a realização dos planos hitleristas. A Operação Tufão, cujo objetivo era a tomada da capital da URSS, começou somente em 30 de setembro.
As tropas fascistas avançaram sobre Moscou durante dois meses. Eles chegaram do noroeste e sudoeste, mas permaneceram a 40-45 quilómetros da capital. Hitler estava tão certo do término bem sucedido e em breve da operação, que deslocou parte da aviação para o Mar Mediterrâneo, para ajudar Mussolini.
 
Mas em 5 de dezembro as tropas soviéticas passaram à contra-ofensiva. “Não há para onde recuar – atrás está Moscou”, com este pensamento os soldados iam ao combate e lutavam até a morte. Os alemães estremeceram e começaram a recuar. A vitória da URSS na batalha por Moscou foi um momento de virada na Segunda Guerra Mundial – considera o dirigente científico do Centro de História das Guerras e Geopolítica, Oleg Rjechevski:
 
“A batalha de Moscou foi o início da chamada virada radical na guerra. É que a derrota das tropas fascistas alemãs nos arredores de Moscou significou o fracasso da guerra-relâmpago contra a União Soviética. Se nós abrirmos documentos alemães, veremos que a operação, segundo o plano Barbarossa deveria terminar em 5 meses. Por isso a derrota das tropas alemãs nos arredores de Moscou significou que a Alemanha perdeu o plano Barbarossa, e tinha pela frente uma guerra longa e ainda para mais, no inverno, para a qual ela não estava preparada.
 
Em um mês, o Exército Vermelho já tinha expulso as tropas alemãs a 100-250 quilómetros da capital soviética. Foram totalmente libertadas dos invasores nazistas as regiões de Moscou e Tula, as grandes cidades de Kalinin (atualmente Tver) e Kaluga. Os inimigos trocaram de papéis: o Exército Vermelho desenvolveu uma ofensiva geral, e os alemães recuaram. O mais importante, talvez, foi que ,os soviéticos acreditaram na própria possibilidade de expulsar o inimigo de sua terra – assinala o historiador Andrei Sakharov:
“A direção alemã, naquele momento, ainda não tinha consciência de que praticamente ocorrera uma viragem na guerra. Apesar de terem sofrido uma derrota, perdido muitos homens e equipamentos, o poderio de seu exército era ainda extremamente grande. Isto foi mostrado pelas batalhas posteriores, pela invasão no sul, no Volga. Entretanto a derrota moral teve grande significado: os alemães, desde o início da Segunda Guerra Mundial, nunca tinham encontrado resistência tão tenaz e, o que é mais importante, bem-sucedida.”
 
A batalha nos arredores de Moscou em 1941-42 entrou na história da Segunda Guerra Mundial como uma das maiores e mais sangrentas. As batalhas ocorreram num território de quase 1000 quilómetros na frente e 400 quilômetros em profundidade, o que, em área, se equipara à Inglaterra, Irlanda, Islândia, Bélgica e Holanda somadas. Os combates duraram mais de 200 dias e neles participaram, de ambas as partes, mais de 7 milhões de soldados, dos quais um milhão e meio ficou para sempre nos campos de batalha.
 
fonte:http://portuguese.ruvr.ru/2012_12_04/A-batalha-de-Moscou-enterrou-a-ideia-de-Blitzkrieg/

Batalha do Bulge da II Guerra Mundial




Vincent Vicari foi membro da 101ª divisão americana de pára-quedistas que conseguiu conter a ofensiva alemã em Bastogne. Foto: AP Vincent Vicari foi membro da 101ª divisão americana de pára-quedistas que conseguiu conter a ofensiva alemã em Bastogne


No dia 16 de dezembro de 1944, a Alemanha nazista lançava nas Ardenas belgas sua última grande ofensiva, que seria uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial: a batalha do Bulge. Seis meses depois do desembarque na Normandia e quando os belgas se preparavam para celebrar seu primeiro Natal em liberdade depois de cinco anos, Hitler pretendia dividir a Bélgica em duas, alcançar o porto de Antuérpia e isolar assim os exércitos aliados que combatiam na Holanda.
  • Às 5h30, o ataque começou a partir de Monschau, na fronteira entre Alemanha e Bélgica, e de Echternach em Luxemburgo. As tropas avançadas americanas foram pegas de surpresa. Para os civis começou um novo êxodo em pleno inverno. Durante os dois primeiros dias da ofensiva, as colunas blindadas SS romperam as defesas americanas, cometendo atrocidades sobretudo na região de Stavelot e de Trois Ponts, ao norte das Ardenas. O caos nas linhas aliadas era quase total. As SS lançaram por trás das primeiras linhas inimigas pára-quedistas disfarçados com uniformes americanos que falavam inglês perfeitamente, responsáveis por executar atos de sabotagem e espalhar boatos entre os oficiais dos Estados Unidos. Em Bastogne, a 101ª divisão americana de pára-quedistas que chegava em caminhões de Reims (leste da França), conseguiu conter a ofensiva alemã, mas a cidade estava completamente cercada. O general George Smith Patton, no comando do Terceiro Exército, lançou então uma contra-ofensiva em meio a uma forte nevasca. Em Bastogne, o general Tony McAuliffe resiste e não aceita a rendição. Uma semana depois do início da ofensiva, graças às melhores condições climáticas, a aviação aliada conseguiu agir com todo seu poderio bélico contra os "panzer" alemães e abastecer a sitiada Bastogne. Até o Natal, a batalha causou furor, mas no dia 26 de dezembro, Patton conseguiu romper o cerco de Bastogne e executar um avanço estratégico que seria decisivo para o resultado final da batalha. As posições se mantiveram relativamente estáveis até 17 de janeiro, mas pouco a pouco os alemães começaram a perder terreno, à medida que grande parte de seus blindados era destruída ou ficava imobilizada pela falta de combustível, que eles pensavam em roubar dos aliados. Sangrentos combates, inclusive corpo a corpo e com armas brancas, foram registrados até 18 de janeiro de 1945, data oficial do fim da batalha das Ardenas. Porém, apenas no dia 31 de janeiro as tropas alemãs foram empurradas para mais além da linha de frente da qual haviam partido em 16 de dezembro. Esta vitória, particularmente dolorosa - quase 15 mil mortos americanos e 2,5 mil civis belgas - acelerou bastante o fim da guerra. Hitler jogou tudo nas Ardenas. Os homens e o equipamento perdidos nesta batalha fizeram falta algumas semanas depois na defesa de seu território. A história do começo ao fim da companhia Easy, da 101ª Divisão de pára-quedistas, é narrada na minissérie para a televisão "Band of Brothers", de Steven Spielberg e Tom Hanks, com dois episódios sobre a batalha do Bulge.
  • fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI440712-EI2418,00-Batalha+do+Bulge+da+II+Guerra+Mundial+faz+anos.html